- Pesquisadores identificaram, na Austrália, uma aranha recém descrita do gênero Propostira, apelidada de aranha-balista; o nome científico ainda não foi divulgado.
- A aranha constrói um cone de seda conectado à teia principal por uma linha de tensão, funcionando como mola, com cerca de 6 milímetros e alcance de até 50 centímetros.
- O cone é posicionado em locais onde as formigas costumam passar e envolve-se em seda fina contendo feromônios para atrair as presas, as formigas-verdes-arborícolas.
- Quando a formiga morde o cone, ele se desprende e a presa é lançada para a teia principal a 4,36 metros por segundo, com aceleração de 1.367 metros por segundo ao quadrado (140 vezes a gravidade).
- A pesquisa, publicada nesta semana no Current Biology, aponta que a armadilha armazena energia na teia, sugerindo evolução para capturar uma presa agressiva, com cerca de 78,17 kilojoules por quilograma de seda.
A aranha recém-datada na Austrália apresenta uma função inusitada de suas teias: atuar como arma para lançar presas diretamente à teia principal. O estudo, publicado no Current Biology, identifica a espécie em florestas tropicais de Queensland, onde o comportamento foi observado pela primeira vez.
Segundo os pesquisadores, a aranha pertence ao gênero Propostira e recebeu o apelido de aranha-balista por lembrar armas usadas na Antiguidade. O animal mede cerca de 5 milímetros, com corpo amarelado e membros alaranjados, e atua principalmente à noite.
Os cientistas passaram mais de uma semana registrando a aranha com câmeras noturnas para entender o mecanismo. Durante o dia, a aranha vive na teia principal, posicionada acima de folhas; à noite, constrói um cone de seda conectado por uma linha de tensão, funcionando como mola que pode chegar a 50 centímetros.
Descoberta e características
O cone é composto por dezenas de fios e fica posicionado em locais de passagem de presas, com o objetivo de isolar e capturar formigas. Ao ativar a armadilha, o cone se desprende de modo explosivo, arremessando a formiga até a teia principal.
A velocidade do lançamento atinge 4,36 metros por segundo, com aceleração de 1.367 metros por segundo ao quadrado, equivalente a 140 vezes a gravidade. Esse desempenho supera qualquer sistema de captura via teia já registrado.
Testes com outras espécies de formigas mostraram que a armadilha parece ser específica para as formigas-verdes-arborícolas, já que outras presas próximas não acionaram o equipamento. A energia armazenada pela teia é elevada: um quilograma da estrutura acumula cerca de 78,17 quilojoules.
Interpretações dos pesquisadores
Os autores sugerem que a aranha-balista evoluiu para explorar uma presa particularmente agressiva. O uso de sinais químicos na seda pode atrair a formiga-alvo, enquanto a mecânica de lançamento facilita a captura rápida antes que a presa seja defendida por outras formigas.
A hipótese é de que o comportamento tenha emergido de uma relação predador-praga ao longo da evolução, enfatizando a especialização da aranha para uma presa específica. A descoberta amplia o entendimento sobre a diversidade de estratégias de captura de aranhas.
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