- O médico de 25 anos Ieuan Phillips pesquisa ligação entre cabeçadas no futebol e dementia, financiada pela Football Association (FA).
- O estudo, iniciado na Universidade de Loughborough, analisa como o impacto repetido da cabeça pode afetar o cérebro ao longo da carreira.
- Os testes com crachás simulam impactos de bolas de futebol de diferentes épocas e constroem a ideia de ondas de pressão que ocorrem antes do movimento da cabeça.
- Resultados indicam que a construção das bolas modernas, com várias camadas, pode gerar impactos mais fortes do que bolas de couro antigas.
- Phillips quer desenvolver uma bola mais segura, ampliar os testes em escala maior e trabalhar com neurocientistas para estabelecer limites de energia e proteger os jogadores sem mudar o jogo.
Dr Ieuan Phillips, de 25 anos, tornou-se figura central em pesquisas sobre danos cerebrais em jogadores de futebol. Durante a lockdown, ele começou a investigar como cabecear a bola pode afetar o cérebro, levantando hipóteses até então pouco exploradas pela ciência.
O estudo, iniciado na Loughborough University, revelou, após cinco anos, dados que surpreenderam especialistas. A pesquisa questionou se impactos repetidos ao longo da carreira contribuem para neurodegeneração, com foco particular na distribuição de danos no lobo frontal.
A equipe avaliou diferentes modelos de bolas ao longo da história do futebol e como o risco variava com o tempo. O objetivo é entender se a construção das bolas, e não apenas a marca ou a era, influencia o trauma cerebral.
Phillips aponta que o acúmulo de impactos de baixa intensidade ao longo da carreira pode ser central para o dano. Relatos patológicos sugerem um padrão distinto de lesões na região frontal do cérebro em jogadores, o que motivou a investigação sobre ondas de pressão geradas pelo cabeceio.
O pesquisador descreve a pressão gerada pelo impacto como semelhante a explosões de arma de fogo repetidas. Ele reforça que a onda de pressão ocorre quase instantaneamente, antes do movimento da cabeça, e é transmitida ao cérebro a cada cabeceada.
Por meio de modelos com cabeças artificiais, a equipe mede a energia de impactos e avalia os efeitos potenciais no cérebro. O objetivo é estabelecer diretrizes para bolas mais seguras e, eventualmente, criar um equipamento com menor risco de dano.
O projeto, financiado pela FA England, compara bolas de couro antigas com modelos modernos, destacando que a construção atual, com várias camadas, tende a ser mais rígida que as bolas de couro simples. A rigidez pode intensificar as ondas de pressão.
Phillips ressalta que o tema exige mais trabalhos práticos, como teste de novas bolas em escala maior e colaboração com neurocientistas para traçar limites de energia que causem danos cerebrais. A meta é reduzir riscos sem comprometer o desempenho.
Ele também considera diferenças anatômicas entre skulls masculinos e femininos, sugerindo que pesquisas futuras devem investigar impactos diferentes em mulheres. A equipe quer entender se variações na espessura e geometria do crânio influenciam o dano.
Além disso, o pesquisador busca desenvolver uma bola mais segura para uso em treinamento e jogos, mantendo o desempenho. O objetivo é oferecer um caminho prático para reduzir riscos sem alterar a essência do jogo.
Phillips destaca que o estudo deve servir como base para aplicações reais, com novas bolas avaliadas em larga escala. O progresso depende de colaboração entre universidades, clubes e indústrias, para chegar a soluções viáveis.
Espera-se que, no médio prazo, haja avanços que contribuam para a proteção de jogadores, sem exigir mudanças drásticas no futebol moderno. O pesquisador mantém o otimismo de que é possível conciliar segurança e continuidade do esporte.
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