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GLP-1 em alta: especialistas defendem canetas emagrecedoras no SUS

Especialistas defendem incorporação de canetas emagrecedoras ao SUS diante custo mensal acima de R$ 2 mil e necessidade de acesso seguro e multidisciplinar

Marie Claire reúne especialistas em fórum, em São Paulo, para discutir a revolução das canetas emagrecedoras — Foto: Creative Commoms
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  • Nesta sexta-feira, 26 de junho, São Paulo recebe a primeira edição do Fórum Marie Claire — A Revolução das Canetas Emagrecedoras, com debate sobre analógicos de GLP-1.
  • O mercado desses medicamentos cresceu 97,6% nos últimos 12 meses; especialistas avaliam continuidade do ritmo, com queda de patentes e entrada de concorrentes pressionando preços para ampliar acesso.
  • O custo mensal, que pode passar de R$ 2 mil, é apontado como obstáculo para muitos pacientes, levando a defesa da incorporação dessas terapias na rede pública.
  • Médicos destacam a necessidade de ampliar o acesso de forma responsável, incluindo acompanhamento multidisciplinar e ações de combate à gordofobia, além de discutir impactos estruturais na saúde.
  • Debate também enfatiza riscos do mercado paralelo e a importância de manter a segurança sanitária, com ressalvas sobre uso sem indicação clínica ou sem supervisão adequada.

Nesta sexta-feira (26/6), São Paulo recebe a primeira edição do Fórum Marie Claire — A Revolução das Canetas Emagrecedoras. Especialistas discutem como os análogos de GLP-1 têm transformado a saúde e geram impactos que vão além dos consultórios. O evento é mediado pela nutricionista Rachel Campello, com a participação de médicos, pesquisadores e profissionais de comportamento, beleza, moda e consumo.

O debate aponta que o custo mensal de tratamentos com GLP-1 pode superar R$ 2 mil, o que tem efeito direto na adesão de pacientes. Dados apresentados mostram que o mercado dos análogos cresceu 97,6% nos últimos 12 meses, mantendo expectativa de expansão com a queda de patentes e novas concorrências.

Despesas, acesso e futuro dos preços

Andréa Frazão, diretora de Prescrição Médica da Eurofarma, afirmou que a tendência é de continuidade do crescimento e prevê redução de preços com a entrada de concorrentes. A EuroCuida, programa da empresa, já reúne mais de 200 mil pessoas com descontos para tratamentos.

Karen de Marca, endocrinologista e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, defende que descontos isolados não substituem a discussão sobre incorporação das terapias pelo SUS. Ela ressalta que a obesidade é doença crônica e aponta a necessidade de ampliar o acesso com avaliação de custo-benefício para o sistema público.

Efetividade, uso responsável e acesso multidisciplinar

A pesquisadora alerta para a importância do acompanhamento multidisciplinar, incluindo aspectos comportamentais e da relação com a alimentação, para manter resultados a longo prazo. Ela também destaca que democratizar o acesso envolve autonomia, escolhas e condições socioeconômicas, não apenas redução de preços.

Fernanda Scagliusi, nutricionista da USP, reforça que ampliar o acesso não se resume a adquirir a caneta. O direito ao tratamento inclui suporte de profissionais de saúde para condução adequada do tratamento, evitando falhas no manejo.

Riscos e combate ao mercado paralelo

O debate também aborda a expansão do mercado paralelo, que expõe pacientes a medicamentos sem aprovação sanitária ou com condições inadequadas de armazenagem. Karen de Marca aponta que barreiras de acesso alimentam esse circuito irregular e que o uso de produtos sem certificação acarreta riscos à saúde.

Ela faz distinção entre quem recorre ao mercado irregular por falta de acesso regular ao tratamento e pessoas que buscam versões inadequadas apenas para emagrecimento rápido. A orientação é utilizar produtos certificados pela Anvisa e manter a cadeia de cuidado e monitoramento.

Segurança, regulamentação e responsabilidade

Segundo a profissional, a disponibilização de uma medicação regulada envolve uma cadeia de segurança que não pode ser ignorada. Ela destaca a necessidade de treinamento para atendimento antigordofóbico e de uma visão crítica sobre padrões de beleza, além de considerar fatores estruturais que moldam o acesso à saúde e ao corpo.

O fórum conta com patrocínio da Novo Nordisk e Eurofarma, além da participação da Mantecorp e da Skintec. O objetivo é ampliar o diálogo sobre o papel das terapias com GLP-1 na saúde pública sem comprometer a segurança do paciente.

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