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Nova técnica identifica estrelas que engoliram planetas

Técnica revela ingestão de material rochoso por estrelas binárias via berílio, indicando que sistemas estáveis podem ser menos comuns

Na imagem, a representação artística de um sistema estelar binário, com uma das estrelas "engolindo" um planeta
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  • Pesquisadores da USP desenvolveram método para identificar estrelas que engoliram planetas, com base em variações na abundância de berílio.
  • O estudo comparou o sistema binário HD 129171 e HD 129209; HD 129171 apresenta enriquecimento de elementos refratários, além de excesso de lítio e berílio, apontando ingestão de material planetário.
  • Observações foram feitas com o espectrógrafo UVES, no Very Large Telescope do ESO, no Chile, revelando que HD 129171 tem mais metais refratários que a companheira.
  • A ingestão contabilizada seria igual a mais de 11 vezes a massa da Terra de material rochoso, vindo possivelmente de um grande planeta ou de vários corpos menores.
  • A pesquisa sugere que sistemas estáveis, similares ao Sistema Solar, podem ser menos comuns do que se pensava, o que tem implicações para a formação de vida complexa.

Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da USP desenvolveu um método para identificar estrelas que engoliram planetas ao redor. A técnica usa variações na abundância de berílio para detectar esse engolamento. O estudo foi publicado em 16 de junho na Astronomy & Astrophysics.

A pesquisa examinou o sistema binário HD 129171/HD 129209, formado por duas estrelas solares semelhantes. Embora nasceram juntas, as estrelas apresentaram composições químicas diferentes, sugerindo ingestão de material rochoso após a formação. A descoberta aponta um marcador químico confiável para esse processo.

Berílio como marcador

O berílio não se forma no interior das estrelas ao longo de suas evoluções, funcionando como sinal de alerta quando detectado na luz estelar. A presença de berílio, associada a elementos refratários, indica ingestão de material planetário que ocorreu tempo depois da formação.

Resultados e interpretação

Os dados, coletados com o espectrógrafo UVES no Very Large Telescope, mostraram maior abundância de elementos como ferro, magnésio e silício em HD 129171, em comparação com a companheira. O padrão é compatível com ingestão equivalente a mais de 11 vezes a massa da Terra.

Implicações

Os autores discutem mecanismos que levam planetas a cair na estrela hospedeira, como interações entre planetas e perturbações externas. A conclusão aponta para a possível raridade de sistemas estáveis semelhantes ao Sol, com implicações para a formação de vida complexa. Fontes: pesquisadores da USP, da Academia Polonesa de Ciências, da Academia Chinesa de Ciências, da Monash University e observatórios italianos.

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