- Cientistas desenvolveram um scanner portátil de raios-X que remove digitalmente camadas de argila, abrindo cartas lacradas sem danificar os artefatos.
- O dispositivo foi testado em museus na França, Alemanha e Turquia, analisando mais de cem tabuletas lacradas e revelando conteúdos de quatro mil anos.
- As cartas revelam detalhes sobre práticas comerciais e sobre o papel das mulheres na sociedade da Anatólia.
- Estima-se que existam mais de meio milhão de artefatos cuneiformes, muitos ainda engarrafados em envelopes de argila.
- Os resultados foram publicados na revista npj Heritage Science e destacam avanços na leitura de mensagens antigas sem destruição dos objetos.
Um dispositivo portátil de raio-X permite ler cartas guardadas em envelopes de argila, sem danificar os artefatos. A inovação chegou a museus na França, Alemanha e Turquia, possibilitando a leitura de conteúdos de cartas cuneiformes com cerca de 4 mil anos de idade.
Desenvolvido por uma equipe liderada pela pesquisadora Cécile Michel, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e da Universidade de Hamburgo, o scanner remove digitalmente as camadas de argila que envolvem as tabuletas. A técnica emprega tomografia computadorizada por raios-X, réplica tecnológica que transforma a leitura de conteúdos já lacrados em uma prática não invasiva.
A metodologia foi aplicada a mais de 100 tabuletas lacradas durante visitas a museus europeus. Entre as descobertas estão referências a práticas comerciais antigas e à posição de mulheres na sociedade da Anatólia. Os pesquisadores destacam que as informações obtidas ajudam a entender relações de gênero e rotinas comerciais há 4 mil anos.
A equipe envolvida reuniu especialistas em história mesopotâmica, física de raios-X e engenharia. O equipamento permite reconstruir em 3D o interior das tampas de argila, abrindo o conteúdo sem abrir fisicamente as cartas. Os resultados foram publicados na revista npj Heritage Science, consolidando o método como futuro padrão para análise de artefatos lacrados.
A pesquisa reforça o potencial de levar análises a museus sem deslocação de objetos sensíveis. Segundo os cientistas, a leitura não invasiva amplia o acesso a conteúdos históricos, preservando a integridade dos envelopes de argila para estudos futuros. A leitura das cartas ilumina aspectos da vida cotidiana de sociedades antigas na região da Mesopotâmia e Adjacentemente.
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