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Cientistas apontam Belo Monte como alerta para expansão hidrelétrica na Amazônia

Cientistas apontam que Belo Monte, completando dez anos, serve de alerta para a expansão hidrelétrica na Amazônia, com impactos na pesca, na floresta e nas emissões

Casa de força da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu; usina entrou em operação há 10 anos
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  • Belo Monte completou dez anos de operação, gerando energia com impactos apontados em pesca, floresta e emissões na região do Xingu.
  • A usina alterou o regime hídrico da Volta Grande do Xingu, área de 130 quilômetros, elevando o desmatamento na região de Altamira e afetando espécies de importância econômica local.
  • Pesquisas apontam mudança no perfil de peixes, queda na biomassa e risco de parada de reprodução de espécies como bagre, com possibilidade de redução de até setenta e oito por cento no volume de pesca local.
  • Estudos indicam emissões de gases do efeito estufa significativas no reservatório, principalmente metano, o que não foi considerado no licenciamento ambiental.
  • A construção fomentou mudanças econômicas locais, com migração de mão de obra para a cidade e deslocamento de culturas agrícolas para atividades pecuárias, gerando desmatamento adicional.

Com 10 anos de operação, a usina hidrelétrica Belo Monte é apresentada por cientistas como alerta sobre a expansão da geração hidrelétrica na Amazônia. O estudo aponta impactos na pesca, na floresta e nas emissões de gases do efeito estufa.

A usina, localizada no rio Xingu, iniciou a operação em maio de 2016 com capacidade de 11,2 mil MW. O projeto foi criticado por populações indígenas e por organizações ambientais durante a implantação.

Pesquisas recentes indicam que o desvio de água para as turbinas alterou o regime hídrico da Volta Grande do Xingu, área de 130 quilômetros, afetando peixes de importância econômica local.

Impactos na pesca e na fauna

Estudos de 2025 e 2026 associam mudanças no perfil de peixes a menor acesso a alimento e a locais de reprodução antes alagados. Espécies-chave passaram a deixar de aparecer com regularidade.

A substituição de peixes maiores por menores, como curimatã por pacu, é observada na região. A queda de 34% na biomassa pesqueira aparece associada a esse fenômeno.

Desafios para a economia local

Pesquisas indicam redução da disponibilidade de peixe para consumo e venda, com impactos esperados nas comunidades ribeirinhas. A projeção é de queda de até 78% no volume pesqueiro da Volta Grande.

A dinâmica de produção local também mudou. A entrada de mão de obra na construção alterou a agropecuária regional, impulsionando a pecuária e o cacau em detrimento de grãos e hortaliças.

Emissões e avaliação ambiental

Relatos científicos indicam emissões de metano do reservatório, principalmente por decomposição de matéria orgânica alagada. Parte relevante das emissões ocorre em bolhas que atingem a atmosfera durante o manejo da água nas turbinas.

Apesar de apresentar baixo índice de emissões por unidade de energia em comparação com fósseis, Belo Monte revela altas emissões por área ocupada. Especialistas destacam a necessidade de incluir esse aspecto em futuros projetos na região.

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