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Dor nas pernas ou costas em crianças nem sempre é dor do crescimento

Especialistas alertam que dor musculoesquelética infantil nem sempre é dor do crescimento; estudo com 694 crianças mostra recuperação em 18 meses, mas um terço tem recorrência

Dor do crescimento / SaúdeLab
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  • Dor musculoesquelética afeta cerca de três em cada dez crianças e adolescentes no Brasil, impactando atividades diárias quando atrapalha brincar ou ir à escola.
  • Em estudo de dezoito meses com 694 jovens, 86% se recuperaram, mas cerca de um terço teve episódios recorrentes de dor.
  • Não há evidência científica de que o crescimento seja a causa direta das dores comumente chamadas de “dor do crescimento”.
  • As dores aparecem com mais frequência nas costas, nas pernas e no pescoço, mas podem ocorrer em qualquer músculo, osso ou articulação.
  • Procure avaliação médica se a dor atrapalhar atividades, durarem dias ou ocorrer repetidamente; fatores de qualidade de vida podem influenciar a recuperação. Fonte: Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e Universidade de Sydney, com apoio da FAPESP; publicado no Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy.

A dor musculoesquelética afeta cerca de 30% das crianças e adolescentes no Brasil. Um estudo, com 694 jovens acompanhados por 18 meses, mostrou que embora 86% tenham se recuperado, cerca de um terço apresentou episódios recorrentes. Os participantes tinham dor incapacitante que interferia em atividades diárias.

A ideia de que as dores são sempre de crescimento não é respaldada por evidências científicas. Ainda assim, o termo costuma ser usado para explicar diferentes tipos de dor na infância, o que pode atrasar a investigação quando a dor é frequente, intensa ou interfere na rotina.

As dores apareceram principalmente nas costas, pernas e pescoço, mas podem ocorrer em qualquer músculo, osso ou articulação. Os pesquisadores destacam que não é necessário um trauma para a dor surgir.

O que se sabe sobre a dor de crescimento

Crianças mais novas com melhor qualidade de vida apresentaram maior chance de recuperação espontânea. Na adolescência, a probabilidade de melhora foi menor. Fatores como sono, bem-estar emocional e ambiente familiar influenciam a avaliação clínica.

A investigação não deve se limitar ao local da dor. Entender o contexto de vida da criança ajuda na compreensão do quadro, incluindo possíveis sintomas psicossomáticos.

Quando buscar ajuda médica

A recomendação é procurar avaliação se: a dor impede atividades como brincar ou praticar esportes; há faltas frequentes à escola; a dor dura vários dias ou volta repetidamente; interfere no sono ou nas atividades diárias; surge sem causa aparente e é recorrente.

Embora nem toda dor seja sinal de doença grave, o acompanhamento é importante, pois episódios frequentes na infância podem aumentar o risco de dor crônica na vida adulta.

A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e da University of Sydney, com apoio da FAPESP, foi publicada no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy.

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