- A Europa está enfrentando onda de calor intensa, com temperaturas altas e recordes em várias regiões, causada por uma “cúpula de calor” de alta pressão que retém o ar quente sobre o continente.
- Segundo Copernicus, esse tipo de sistema meteorológico tem ficado mais frequente nos últimos 25 anos, contribuindo para ondas de calor mais duras.
- A Europa está aquecendo duas vezes mais rápido que a média global: a temperatura média do continente subiu 2,5 °C desde o período pré‑industrial, contra 1,4 °C no mundo.
- O aquecimento é agravado pela proximidade com o Ártico, pelo efeito albedo (menos neve em áreas altas) e por mudanças na corrente de jato que intensificam padrões climáticos extremos.
- Regulamentações de qualidade do ar retiraram partículas que ajudavam a refletir a luz, contribuindo, por efeito colateral, para aquecimento; especialistas ressaltam a necessidade de ações para limitar o aquecimento global.
O continente europeu enfrenta uma onda de calor extremo, com recordes de temperatura batendo ao longo de várias regiões da Europa Ocidental. O episódio tem levado a mortes e pressão sobre serviços de saúde, agricultura e energia. A alta pressão atua como tampa que prende o ar quente sobre a região, prolongando o fenômeno.
Cientistas apontam que esse tipo de frente permanece mais tempo do que o normal, freando a circulação de ar e elevando temperaturas. Pesquisadores lembram que o calor atual já foi considerado excepcional mesmo no auge do verão, reforçando a relação com a mudança climática.
Segundo o Copernicus, sistemas de alta pressão tornaram-se mais frequentes nos últimos 25 anos, aumentando ondas de calor. A cada episódio, entidades científicas reforçam que o aquecimento observado é compatível com cenários de emissões de gases de efeito estufa.
Entre as regiões mais afetadas, destacam-se áreas da Europa Ocidental, onde temperaturas acima de 30 °C persistem por dias. O aquecimento acentuado também se reflete na temperatura da superfície do mar, atingindo patamares recordes.
Dados do Estado Europeu do Clima indicam que, em 2025, pelo menos 95% do continente registrou temperatura anual acima da média. Ondas de calor chegaram até ao norte do Círculo Ártico, sinalizando extremos cada vez mais frequentes.
Com o polo norte já aquecido acima de 3,3 °C, o efeito albedo contribui para o aquecimento: menos gelo reflete menos radiação solar. Em áreas elevadas como os Alpes, a neve tem diminuído, acelerando o processo.
Alterações nos ventos da corrente de jato também influenciam o tempo europeu. Padrões mais persistentes têm contribuído para ondas de calor repetidas na região ocidental.
Entretanto, estudos mostram que ações para reduzir poluição podem reduzir o efeito de resfriamento causado pela partícula refletora de sulfato. O panorama é de complexa relação entre políticas ambientais e temperatura.
Especialistas ressaltam a urgência de limitar o aquecimento global. O relatório conjunto da OMM e do Met Office aponta temperaturas globais próximas de recordes nos próximos cinco anos, com a possibilidade de um novo ano mais quente antes de 2031.
Autoridades e especialistas reiteram a necessidade de ações rápidas para mitigar impactos. O objetivo é reduzir riscos a populações vulneráveis, reservando atenção a saúde, energia e alimentação na região europeia.
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