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Tratamento promete desativar genes do câncer sem afetar células saudáveis

UFSC desenvolve fármaco que atua apenas em células tumorais, visando quimioterapia mais eficiente, precisa e com menos efeitos colaterais

Pesquisas estão desenvolvendo proteínas híbridas para aumentar a especificidade e evitar efeitos colaterais de terapias oncológicas. Na imagem, cadeias de DNA
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  • Projeto da UFSC busca um tratamento que atue apenas em células tumorais, tornando a quimioterapia mais eficiente e menos dolorosa.
  • A abordagem usa proteínas híbridas que reconhecem sequências de DNA e as protegem com capacidade de corte, acionadas pela luz (proteína EL222).
  • O sistema funciona como um míssil molecular: a atividade de corte é acionada apenas na célula tumoral, com uso de componentes químicos que se ligam a metais, especialmente cobre.
  • Ensaios iniciais em laboratório mostraram que os materiais conseguem degradar a sequência alvo do DNA, preservando outras regiões, com próximos passos em células.
  • Não é um medicamento ainda; trata-se de ciência básica em busca de uma medicina oncológica mais personalizada.

O projeto da UFSC, vinculado ao Departamento de Bioquímica, busca tornar a quimioterapia mais precisa. A ideia é substituir os bombardeios gerais por uma ação dirigida apenas às células tumorais, reduzindo danos a tecidos saudáveis.

A pesquisa envolve proteínas híbridas que reconhecem sequências de DNA específicas e as conectam a compostos que degradam esse material genético. O objetivo é impedir a replicação de genes tumorais sem afetar o restante do genoma.

O estudo está em fase inicial, com foco em validar o mecanismo. Ensaios *in vitro* mostram que é possível sequestrar cobre no ambiente tumoral para ativar a ação de rupturas do DNA apenas na região-alvo.

Para alcançar isso, a equipe utiliza uma proteína derivada da bactéria marinha Erythrobacter litoralis, chamada EL222. Ela funciona como interruptor ativado pela luz, permitindo ligar ou desligar a ferramenta sob comando.

A proteína é combinada a ligantes orgânicos que, quando presentes, facilitam a degradação do DNA-alvo. Espaçadores químicos são ajustados para melhorar a afinidade com o DNA e a estabilidade da ligação.

Também há a incorporação de grupos que se ligam a metais, como o cobre, para ativar a capacidade de corte apenas na célula tumoral. O cobre é explorado pela maior captação observada em tumores, reduzindo impactos em tecidos saudáveis.

Os primeiros resultados indicam que as moléculas híbridas conseguem degradar apenas a sequência-alvo, preservando outras regiões do DNA. A próxima etapa é testar o sistema em células e identificar quais genes tumorais será direcionado.

Embora ainda na ciência básica, a pesquisa representa uma abordagem inédita. Com avanços, pode abrir caminho para tratamentos personalizados contra o câncer, reduzindo efeitos colaterais da quimioterapia tradicional.

Progresso científico e próximos passos

A equipe planeja avaliar a eficácia do sistema em diferentes tipos de células. A meta é entender a seletividade e ampliar o conjunto de alvos tumorais potenciais.

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