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Café pode favorecer envelhecimento cerebral mais saudável, diz nutricionista

Estudos associam consumo moderado de café a menor risco de declínio cognitivo, porém não comprovam causalidade direta

Segundo pesquisadores, dose segura é de até 400 mg de cafeína por dia (Getty Images/Reprodução)
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  • Estudos sugerem que consumo moderado de café está associado a menor risco de declínio cognitivo, demência e Alzheimer, com variação de 18% a 27% em alguns indicativos.
  • A pesquisadora Camille Perella Coutinho, doutora pela USP e da Unifesp, comenta as hipóteses sobre os efeitos benéficos do café para a saúde dos neurônios.
  • Além da cafeína, o café contém polifenóis como ácidos clorogênicos e ácido cafeico, que possuem ação antioxidante e anti-inflamatória, potencialmente protegendo neurônios.
  • Estudos apontam que o eixo intestino‑cérebro e a microbiota podem participar, com polifenóis influenciando microrganismos e a produção de butirato, ligado à saúde intestinal.
  • O consumo típico considerado benéfico é de duas a três xícaras por dia; até quatrocentos miligramas de cafeína diários é considerado seguro para adultos saudáveis, com efeitos adversos possíveis acima disso.

Na Unifesp, a pesquisadora Camille Perella Coutinho comenta as hipóteses sobre como o café pode favorecer a saúde dos neurônios. Estudos recentes associam o consumo da bebida a menor risco de declínio cognitivo e demência, incluindo Alzheimer, conforme reportagem anterior da VEJA. Em geral, dados observacionais apontam essa relação.

Segundo Coutinho, a bebida é rica em compostos bioativos além da cafeína, como polifenóis. Esses elementos teriam ação antioxidante e anti-inflamatória, potencialmente reduzindo estresse oxidativo e inflamação crônica associada ao envelhecimento cerebral. A atuação conjunta de cafeína, ácidos clorogênicos e outros componentes é considerada relevante.

Mecanismos propostos

Os polifenóis do café, especialmente clorogênicos, podem modulados vias celulares da sobrevivência neuronal. A hipótese é que reduzam danos oxidativos, modulando inflamação e ajudando a manter a função cerebral com o passar dos anos. Ainda, a cafeína pode favorecer a comunicação entre neurônios ao bloquear receptores de adenosina, o que pode impactar a plasticidade cerebral.

Outra linha foca no eixo intestino-cérebro. Compostos fenólicos do café podem modular a microbiota, estimulando produção de butirato e fortalecendo a barreira intestinal. Transformações pela microbiota podem gerar moléculas com efeito neuroprotetor, sugerindo que parte dos benefícios ocorrem indiretamente.

Consumo e referências

Estudos indicam benefícios com duas a três xícaras diárias; porém, não há comprovação de causalidade. Acardápio moderado é visto como parte de um estilo de vida saudável, não como garantia de prevenção. A ingestão segura de cafeína para adultos costuma chegar a 400 mg por dia, respeitando a tolerância individual.

Outras bebidas também entram no debate. Chás como verde, preto, mate e hibisco oferecem polifenóis com propriedades antioxidantes. Para quem é sensível à cafeína, opções sem efeito estimulante, como hibisco ou camomila, podem ser alternativas.

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