- Emissões totais atuais: a China é o maior emissor anual de dióxido de carbono, com atuação muito superior à dos Estados Unidos.
- Emissões por pessoa: o americano médio emite mais CO₂ do que o chinês médio (aproximadamente 14 t vs 8,7 t em 2024).
- Contribuição ao aumento global: a China respondeu por cerca de 62% do incremento global de emissões neste século, enquanto os EUA tiveram queda próxima de 1 bilhão de toneladas.
- Crescimento de energia limpa: a China lidera na instalação de renováveis, com 890 gigawatts de solar e 520 gigawatts de eólica em 2024, além de ampliar veículos elétricos e infraestrutura associada.
- Dependência do carvão: apesar das recordes de renováveis, a China continua dependendo do carvão, respondendo por mais de 50% do consumo global, o que sustenta o crescimento das emissões.
China ou EUA: afinal, quem é o maior emissor de gás carbônico do planeta?
Uma análise recente levanta a dúvida sobre o peso relativo dos emissores. Embora China tenha aumentado as suas emissões, a discussão depende do critério utilizado: emissões atuais, históricas ou per capita.
Segundo dados de Our World in Data, as emissões per capita ficaram maiores nos Estados Unidos em 2024, com cerca de 14 toneladas métricas por pessoa, contra 8,7 toneladas na China. Dessa forma, o americano médio tem pegada de carbono maior.
Além disso, o acúmulo histórico de emissões favorece Estados Unidos e Europa. As concentrações de CO2 na atmosfera refletem décadas de emissões passadas, o que complica as avaliações de responsabilidade climática atuais.
A China lidera, contudo, na implantação de energias renováveis. Em 2024, o país ampliou significativamente a capacidade solar e eólica, com 890 gigawatts de solar e 520 gigawatts de eólica ao fim do ano. Esses números colocam a China na dianteira mundial na infraestrutura verde.
Emissões totais e crescimento global
Apesar dos avanços em renováveis, as emissões totais da China cresceram de forma expressiva neste século, contribuindo de modo decisivo para o aumento global. Dados indicam que as emissões anuais chinesas cresceram aproximadamente 8,8 bilhões de toneladas métricas desde o início do século.
Nesse mesmo período, as emissões globais subiram cerca de 14 bilhões de toneladas, e o crescimento chinês respondeu por cerca de 62% desse total. Em contraste, as emissões dos Estados Unidos recuaram em torno de 1 bilhão de toneladas.
Essa dinâmica mostra que a pergunta sobre quem impulsiona as emissões anuais tende a apontar para a China, mesmo com o peso histórico maior de EUA e Europa.
Desafios do sistema energético chinês
O cenário evidencia que a expansão de energia limpa não substitui, sozinha, o consumo total de energia. A China continua dependendo de combustíveis fósseis, principalmente carvão, para suprir a demanda elétrica.
Relatórios indicam que o consumo chinês de carvão para geração elétrica se manteve em torno de 3 bilhões de toneladas métricas, sustentado pelo crescimento da demanda por eletricidade, mesmo com a expansão de renováveis. Em 2024, a Reuters indicou que a China superou a meta de 1.200 gigawatts de capacidade instalada de vento e sol para 2030.
Panorama final
Ao considerar responsabilidade histórica, intensidades per capita e avanços em renováveis, a classificação muda conforme o critério. Em termos de emissões atuais, a China é o principal impulsionador do crescimento global neste século. Em termos históricos, EUA e Europa respondem por boa parte do estoque atmosférico.
A leitura abrangente exige reconhecer que a China lidera a construção de infraestrutura de energia limpa, ao mesmo tempo em que continua entre os maiores emissores anuais. Os EUA, por sua vez, mantêm elevada pegada per capita e histórico expressivo, ainda que tenham reduzido as emissões recentes.
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