- Diamante raro encontrado em Juína, Mato Grosso, pode explicar como a água chega ao interior da Terra.
- A pedra, do grupo dos “superprofundos”, abriga uma inclusão de oxihidróxido de ferro formada por goethita, hematita e magnetita.
- Esse material pode atuar como veículo para transportar água desde a superfície até o manto profundo, em até 800 quilômetros de profundidade.
- O estudo foi feito por pesquisadores do CNPEM, com apoio de universidades brasileiras, e publicado na Scientific Reports, do grupo Nature.
- A descoberta sugere que o ciclo da água no planeta envolve processos profundos no interior, o que pode impactar fusão de rochas, formação de magmas e atividade sísmica.
Um diamante raro encontrado em Juína, em Mato Grosso, pode esclarecer como a água é transportada para o interior da Terra. A descoberta foi feita por pesquisadores do CNPEM e publicada recentemente numa revista da Nature.
A pedra pertence ao grupo dos superprofundos, formados sob condições extremas a até 800 km de profundidade. Juína é apontada como a principal região de ocorrência conhecida desses diamantes no mundo.
A equipe analisou a inclusão interna da pedra, identificando um conjunto de minerais oxihidróxidos de ferro, como goethita, hematita e magnetita. Essa combinação forma um material capaz de manter hidroxilas estavelmente sob altas pressões.
Os pesquisadores destacam que o mineral hidratado pode atuar como veículo para água, conectando a superfície ao manto profundo. Tal water storage teria impactos na dinâmica do manto e nos processos de fusão de rochas.
A análise ocorreu em técnicas de luz síncrotron no Sirius, no CNPEM, com observação de alta resolução da estrutura cristalina preservada no diamante. A inclusão parece ter se formado sob grandes pressões e temperaturas.
Segundo os especialistas, o material pode ter origem em zonas de subducção, onde placas mergulham no interior da Terra. Durante esse percurso, liberaria água e oxigênio no manto profundo, alterando sua química.
A água existente nesses ambientes não equivale a oceanos subterrâneos, mas a hidroxilas integradas aos minerais. Mesmo assim, esse mecanismo pode influenciar fusões de rochas, formação de magmas e sismos profundos.
A pesquisadora Fernanda Gervasoni explica que minerais hidratados em profundidades extremas são incomuns e, quando observados em diamantes, ajudam a entender o transporte de água no interior do planeta.
O estudo reuniu cientistas do CNPEM, da Universidade de Brasília, da UF Pelotas e da UFRS, com apoio da Fapesp para projetos de pós‑doutorado de Gervasoni.
Implicações para o ciclo da água
A descoberta reforça a ideia de que o ciclo da água terrestres envolve processos além dos océanos, chegando a regiões profundas do planeta. A água liberada pode alterar a dinâmica do manto e a geodinâmica regional.
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