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Super El Niño eleva papel da assistência técnica rural no Cerrado contra a seca

El Niño forte amplia o papel da assistência técnica rural no Cerrado como defesa contra a seca, orientando pastagens, nascentes e gestão do rebanho

Chapada dos Veadeiros, no Cerrado — Foto: Getty Images
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  • A Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA confirmou o El Niño, com aquecimento das águas do Pacífico e previsões de chuva irregular no Cerrado, especialmente no Vale do Araguaia.
  • O super El Niño pode intensificar a seca no Cerrado em 2026, atrasando ou reduzindo chuvas e prejudicando pastagens, alimentação do rebanho e custos de produção.
  • A assistência técnica rural é apresentada como defesa essencial: orientar vedação do pasto, recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes e planejamento de alimentação e estocagem de forragem.
  • Estudos apontam ganhos com orientação técnica: Emater-DF registra aumento médio de R$ 490,54 na renda de pequenas propriedades; projeto Boas Práticas na Pecuária, no Araguaia, teve +28,3% na produtividade e +41,6% no faturamento.
  • O manejo integrado do fogo e ações de adaptação climática podem reduzir danos; no Cerrado isso envolve prevenção, planejamento e participação local para diminuir áreas queimadas.

Em meio ao reconhecimento de sinais de super El Niño, a assistência técnica rural surge como defesa essencial do Cerrado contra a seca. Especialistas apontam que o trabalho técnico contínuo orienta decisões cruciais, como manejo de pastagens, proteção de nascentes e planejamento de alimentação do rebanho.

A confirmação, em 11 de junho, de que haverá aquecimento das águas do Pacífico pela NOAA reforça previsões de 2026 mais secas e mudanças na distribuição de chuvas. O Cerrado, especialmente o Vale do Araguaia, é apontado entre as áreas mais vulneráveis.

Contexto climático

Variações no clima elevam o risco de estiagens irregulares, com atrasos ou falhas na chuva. Em El Niño, as chuvas podem atrasar ou terminar cedo, prejudicando a formação das pastagens e elevando custos na pecuária. A irregularidade da precipitação afeta o manejo do rebanho.

Para o campo, não basta prever quanto chove; é preciso saber quando e onde chove. Veranicos no meio da safra comprometem plantios e reduzem a oferta de alimento para o gado, elevando o custo de reposição de peso.

Impactos da assistência técnica

A assistência técnica transforma informação em decisão prática. Ela orienta o vedar o pasto no tempo certo, a recuperação de áreas degradadas, a proteção de nascentes e a estocagem de forragem antes da seca se intensificar. É gestão de risco climático aplicada à propriedade.

Dados da Emater-DF indicam ganho médio de R$ 490,54 na renda de produtores atendidos, especialmente pequenas propriedades familiares. O benefício vem da orientação técnica, representando cerca de 40% do valor bruto da produção dessas unidades.

Casos e resultados

No Vale do Araguaia, Mato Grosso, o projeto Boas Práticas na Pecuária, da The Nature Conservancy (TNC) Brasil em parceria com o Sebrae-MT, registrou aumento de 28,3% na produtividade e 41,6% no faturamento das propriedades no primeiro ciclo. Além disso, houve recuperação de áreas degradadas e proteção de nascentes.

A mensagem é clara: é possível produzir, conservar e reduzir vulnerabilidades sem ampliar áreas exploradas. O desafio é ampliar o acesso à orientação técnica, pois apenas 18,2% dos estabelecimentos declararam recebê-la, segundo o Censo Agropecuário.

Manejo de fogo e adaptação

O Cerrado enfrenta ainda o risco de incêndios durante a seca. Em 2024, foram 9,7 milhões de hectares queimados, com aumento de 47% frente à média de anos anteriores. O Manejo Integrado do Fogo, que combina planejamento e participação local, reduziu drasticamente áreas queimadas em unidades de conservação no Cerrado.

No Mato Grosso, exemplos como o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães mostram que o manejo reduz incêndios subsequentes a estados de alerta. A prevenção é parte do conjunto de ações para enfrentar o super El Niño.

Conclusão estrutural

Ampliar a assistência técnica se apresenta como estratégia de adaptação climática com retorno produtivo e ambiental. A capacidade de antecipar riscos e planejar ações dentro das propriedades é central para enfrentar a estação seca prevista com o aquecimento do Pacífico.

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