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ONU propõe gestão sustentável da areia e reforça papel estratégico do mineral

Relatório da ONU aponta gestão sustentável da areia, com bancos avaliando a origem do material e incentivo à reciclagem para reduzir extração

Relatório da ONU introduz conceitos de “areia viva” e “areia morta” para destacar que esse recurso vai muito além de um insumo da construção civil – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
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  • ONU apresenta relatório com 24 recomendações para governos, empresas e instituições financeiras promoverem a gestão responsável da areia.
  • A produção e o consumo globais somam cerca de 50 bilhões de toneladas por ano, principalmente para a construção civil.
  • O documento introduz os conceitos de “areia viva” (nos ecossistemas) e “areia morta” (extraída e usada em obras) para ampliar o papel do recurso.
  • Bancos e financiadores aparecem como agentes estratégicos, com crédito avaliado pela origem da areia e por práticas de extração ambientalmente responsáveis.
  • No Brasil, a reciclagem de areia enfrenta entraves técnicos e regulatórios; alternativas incluem o reaproveitamento de rejeitos da mineração de ferro para reduzir a pressão sobre depósitos naturais.

A ONU lançou um relatório que propõe gestão sustentável da areia, destacando seu papel estratégico na economia e no meio ambiente. A publicação reúne recomendações para governos, empresas e instituições financeiras visando reduzir impactos da extração e ampliar o uso responsável do recurso.

O documento explica que a areia, rica em dióxido de silício, é amplamente consumida pela construção civil, com estimativas de produção e consumo na casa de 50 bilhões de toneladas por ano. Entre as 24 recomendações, destaca-se o papel das instituições financeiras na promoção de práticas mais sustentáveis.

O estudo é assinado por pesquisadores, incluindo o professor Luiz Enrique Sanchez, do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da USP. Segundo ele, a gestão responsável da areia deve conciliar aproveitamento econômico com preservação ambiental e manutenção de ecossistemas.

A publicação traz a ideia de que bancos e financiadores devem considerar a origem da areia em grandes empreendimentos ao conceder crédito. Hoje, afirma, os mecanismos de verificação de origem legal e ambientalmente responsável ainda são insuficientes, o que ele diz aumentar riscos socioambientais.

Areia viva e areia morta

Sanchez explica que o relatório diferencia areia viva, presente em ecossistemas como rios, praias e fundos marinhos, de areia morta, extraída e utilizada em obras. A ideia é ampliar o aproveitamento da areia morta por meio da reciclagem de resíduos da construção, fortalecendo a economia circular.

Essa abordagem visa reduzir a necessidade de novas extrações, ao mesmo tempo em que mantém funções ecológicas da areia viva. O documento sugere que o reaproveitamento de resíduos pode suprir parte da demanda da construção civil, diminuindo a pressão sobre depósitos naturais.

Desafios para o Brasil

O relatório aponta que a reciclagem de areia no Brasil enfrenta entraves técnicos e regulatórios. Ainda assim, apresenta alternativas para reduzir a pressão sobre depósitos naturais, incluindo o reaproveitamento de rejeitos da mineração de ferro, que contêm areia silicosa já usadas em parte da construção.

Para o pesquisador, não existe solução única; o conjunto de estratégias precisa ser adaptado a características regionais. O objetivo é ampliar a cadeia da construção responsável, desde a extração até o uso final, com foco na redução de impactos ambientais.

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