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Paciente com Doença de Crohn relata evacuações diárias acima de 40 e uso de fralda

Bruna Noite convive com Crohn desde vinte e cinco anos; crises, cirurgia intestinal, uso de imunobiológicos e gravidez acompanhada com rigor terapêutico

Bruna hoje está em remissão da doença, sem sintomas — Foto: Arquivo pessoal
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  • Bruna Noite, aos 25 anos, teve início dos sintomas em 2015 e recebeu o diagnóstico de doença de Crohn após quatro meses, com mais de quarenta evacuações diárias e quatro crises de diarreia, além de fístulas e cirurgias.
  • A doença inflamatória intestinal tem prevalence crescente no Brasil, passando de 30 para 100 casos por 100 mil habitantes, segundo estudo da literatura The Lancet Regional Health Americas, com trezentos e doze mil pacientes analisados.
  • O tratamento inicial com mesalazina e azatioprina falhou; corticoides provocaram ganho de peso significativo e as crises voltaram quando a dose foi reduzida; imunobiológicos trouxeram alívio, porém causaram efeitos adversos.
  • Em 2019, começou novo acompanhamento: terceiro imunobiológico, com boa resposta, e uma gravidez inesperada foi mantida com acompanhamento intensivo; a gestação ocorreu sem crises e a bebê nasceu saudável no início de 2020.
  • Em 2025, houve estreitamento intestinal devido a cicatrizes, levando a cirurgia para retirada de cerca de 35 centímetros do intestino delgado; complicação levou a fístula e 28 dias de hospital, sem necessidade de nova cirurgia, hoje em tratamento com novo imunobiológico e sem sintomas.

Bruna Noite, 25 anos à época, teve diarreia intensa e dor abdominal em 2015. Diagnosticada com doença de Crohn, condição inflamatória intestinal crônica, ela passou por crises severas e várias cirurgias ao longo dos anos. A doença pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, sem cura definitiva.

Estudo recente na The Lancet Regional Health Americas aponta crescimento da prevalência de DII no Brasil, de 30 para 100 casos por 100 mil habitantes no sistema público. Analisados 212 mil pacientes, 58,5% eram mulheres.

Antes do diagnóstico, Noite chegou a evacuar mais de 40 vezes por dia e convivia com dor constante. Trabalhava em turno da madrugada em um banco e, no trajeto, muitas vezes precisava usar roupas limpas no trabalho e pedir ajuda para ir ao banheiro.

O tratamento inicial com mesalazina e azatioprina falhou. Corticoides em altas doses levaram a ganho de peso superior a 25 quilos, com crises recorrentes ao reduzir a medicação. O ciclo de oscilações durou 2016 inteiro.

Em 2017, um imunobiológico controlou a Crohn, mas desencadeou artrite psoriásica severa. A pele ficou extremamente sensível, dificultando movimentos. A troca de medicamento foi necessária, mas outra droga causou náuseas intensas, levando o médico a indicar avaliação especializada em DII.

No começo de 2019, um novo médico indicou um terceiro imunobiológico, que proporcionou bom controle por um tempo. Uma gestação inesperada exigiu acompanhamento intensivo, com exames fora do protocolo de pré-natal, para manter a saúde da mãe e do feto.

A gravidez resultou no nascimento de uma menina saudável no início de 2020. A paciente permaneceu assintomática até 2025, quando surgiu constipação. Exames mostraram estreitamento intestinal por cicatrizes antigas.

Em outubro de 2025, foi realizada cirurgia para retirada de cerca de 35 centímetros do intestino delgado. Dois dias após a alta, surgiu uma fístula na sutura, com acúmulo de líquido no abdômen. Para evitar nova cirurgia e bolsa de colostomia, drenos foram instalados.

A hospitalização durou 28 dias, com diagnóstico de complicação grave, mas a paciente não precisou de nova cirurgia e permanece em tratamento com um imunobiológico atual, sem sintomas.

Especialista destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar danos permanentes. Dor, diarreia, perda de peso e fadiga são sinais comuns, variados entre pacientes. Quando bem controlada, a doença permite vida praticamente normal.

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