- Arqueólogos em York, na Inglaterra, identificaram o pigmento púrpura de Tiro em vestígios preservados por um ritual funerário romano, usando espectrometria de massa.
- A púrpura de Tiro é um corante obtido de moluscos Murex, extremamente caro e resistente ao sol, chegando a custar várias vezes o ouro.
- Na Bíblia, o corante aparece em Atos dos Apóstolos, com Lídia vendendo tecidos de púrpura, e em Marcos, quando soldados romanos o usam em Jesus para zombar de sua condição de rei.
- A preservação ocorreu porque o gesso despejado sobre caixões amortalhados formou uma casca protetora, mantendo vestígios químicos por quase dois mil anos.
- A descoberta indica redes de comércio romano sofisticadas, conectando o norte da Inglaterra ao Mediterrâneo para levar luxo a regiões distantes.
A descoberta envolve a identificação do pigmento púrpura tradicionalmente associado à cidade de Tiro, originário de moluscos marinhos do gênero Murex. O achado foi feito em um sítio romano em York, no norte da Inglaterra, durante análise de vestígios de um ritual funerário.
Pesquisadores da Universidade de York usaram espectrometria de massa para confirmar a presença do pigmento original, preservado pela cobertura de gesso que protegia caixões após amortalhamento. A técnica permitiu detectar componentes químicos compatíveis com a púrpura de Tiro, após quase dois mil anos.
O que é a púrpura de Tiro?
A púrpura de Tiro resulta do processamento de moluscos Murex, com produção lenta e consumo elevado de conchas. O corante é resistente ao sol e dificulta falsificações, o que o tornou símbolo de riqueza e poder. Em algumas épocas, o tecido tingido com esse pigmento chegava a custar várias vezes o ouro.
Contexto bíblico e histórico
Na Bíblia, a púrpura aparece em cenas de distinção social. Em Atos, Lídia é descrita como comerciante de tecidos púrpura. No Evangelho de Marcos, soldados romanos vestem Jesus com um manto púrpura para zombar da condição real dele, destacando a associação do tom com autoridade.
Implicações da descoberta
A presença do pigmento em York indica redes de comércio romano capazes de transportar itens de luxo entre o Mediterrâneo e a Britânia. O achado aponta para uma circulação de mercadorias de alto valor, mesmo em regiões distantes dos centros produtores fenícios.
Impacto arqueológico e humano
Os vestígios do túmulo em York sugerem cuidado com o conforto funeral de recém-nascidos, ao usar tecidos tingidos com o corante mais caro. A interpretação aponta para um esforço por despedidas dignas, envolvendo ornamentos com fios de ouro.
Conteúdo produzido pela equipe da Gazeta do Povo. Para aprofundar, leia a reportagem completa.
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