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Estudo brasileiro explica como árvores de 70 metros transportam água às folhas

Estudo brasileiro mostra que árvores com mais de setenta metros ajustam os vasos do xilema para levar água até as folhas, mesmo sob seca

Os pesquisadores focaram seus estudos na família de árvores Dipterocarpaceae, as angiospermas mais altas do mundo. A da foto, por exemplo, tem 61 metros de altura — Foto: Arne Scheire/Universidade de Exeter
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  • Estudo brasileiro com 38 árvores, de cinco espécies da família Dipterocarpaceae, mostra que plantas com mais de setenta metros transportam água até as folhas sem dificuldades.
  • A pesquisa foi publicada na revista Science nesta quinta-feira (2).
  • Os cientistas identificaram ajustes nos vasos do xilema, aumentando o diâmetro à medida que a árvore cresce, o que favorece o transporte de água.
  • Os resultados sugerem que outros mecanismos fisiológicos e anatômicos, e não apenas a altura, ajudam a survivência de árvores altas em condições de seca.
  • A descoberta ajuda a entender o funcionamento de florestas e oferece subsídios para modelos sobre respostas a mudanças climáticas.

A estrutura interna de árvores que passam dos 70 metros revela adaptações evolutivas para transportar água de forma mais eficiente até as folhas. Pesquisadores brasileiros mostraram que as árvores dessa altura não enfrentam dificuldades maiores para levar água aos galhos, como se supõe pela gravidade e pela distância.

O estudo envolve 38 exemplares de cinco espécies da família Dipterocarpaceae, consideradas entre as mais altas do reino vegetal. Os pesquisadores observaram ajustes nos vasos do xilema, os tubos que conduzem água, que tornam seu diâmetro maior conforme a árvore cresce.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira 2, na revista Science, aponta que esse aumento de diâmetro facilita o transporte hidráulico em condições de seca. Os resultados sugerem que mecanismos fisiológicos adicionais influenciam a sobrevivência de árvores muito altas diante de mudanças climáticas.

Segundo Rafael Oliveira, biólogo da Unicamp e pesquisador do estudo, não está correto atribuir a altura como única fonte de vulnerabilidade hidráulica. Outros mecanismos internos podem ser igualmente relevantes para a resistência das árvores ao estresse hídrico.

A pesquisa contribui para entender como as florestas funcionam sob climas cada vez mais secos. O achado reforça a importância de modelos que incorporem as adaptações de plantas de grande porte na avaliação de cenários futuros.

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