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Noruega, adversária em campo, coopera com ações ambientais do Brasil

Noruega, adversária da seleção brasileira nas oitavas, é principal doadora do Fundo Amazônia e sócia do Fundo Florestas Tropicais para Sempre

Rios contaminados têm coloração e margem afetadas pela atuação de garimpo ilegal na região do Surucucu, dentro da Terra Indígena Yanomami, Oeste de Roraima, avistados em sobrevoo da Força Aéra Brasileira para lançamendo de suprimentos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • Noruega é a principal doadora do Fundo Amazônia e tornou-se sócia do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
  • O TFFF foi lançado durante a COP 30, em Belém, em 2025, com apoio de 66 países. Na ocasião, a Noruega prometeu investir US$ 3 bilhões no fundo ao longo de dez anos.
  • O Brasil pretende levantar US$ 25 bilhões com adesões ao TFFF e alavancar US$ 125 bilhões com capital privado, para apoiar florestas tropicais.
  • O Fundo Amazônia, principal mecanismo de doações, já recebeu recursos da Noruega, que contribuiu com R$ 3,8 bilhões dos R$ 4,9 bilhões até 2025.
  • Governo e especialistas destacam o papel da cooperação internacional para conservação, apesar de a Noruega também ser grande produtora de petróleo e gás.

A seleção brasileira encara a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O jogo ocorrerá no próximo domingo, às 17h, em local ainda a confirmar. O duelo é inédito para o Brasil, que soma dois empates e duas derrotas contra a equipe nórdica desde 1998.

Enquanto o confronto esportivo atrai atenção, as pautas ambientais também aparecem no diálogo entre os países. A Noruega atua como parceira de ações de conservação de florestas tropicais ao lado do Brasil e figura como principal doadora de recursos para iniciativas do setor.

A Noruega é a maior contribuinte do Fundo Amazônia, criado pelo Brasil em 2008. O país também tornou-se sócia do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado oficialmente na COP 30, em Belém, em 2025.

Proteção das florestas tropicais

O TFFF busca atrair recursos públicos e privados para manter florestas tropicais na América do Sul, África Central e Sudeste Asiático. O objetivo é financiar proteção, restauração e manejo sustentável.

O fundo recebeu apoio de 66 países na COP 30. A Noruega se comprometeu a investir US$ 3 bilhões no TFFF ao longo de dez anos, o maior aporte individual já feito para conservação de florestas tropicais.

Na visão do ministro norueguês do Clima e do Meio Ambiente, Andreas Bjelland Eriksen, o mundo enfrentaria a perda de florestas sem esses recursos, o que afetaria também o Brasil e a crise climática global. O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre destacou o potencial de financiamento estável de longo prazo.

A meta brasileira é alcançar US$ 25 bilhões em adesões e alavancar US$ 125 bilhões com capital privado. Os recursos seriam aplicados em países com florestas tropicais, totalizando 1 bilhão de hectares sob proteção.

Garo Batmanian, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, afirmou que o Brasil buscou parceiros tradicionais para o financiamento. Segundo ele, a Noruega ingressou com aportes condicionados, ajudando a ampliar o programa.

Fundo Amazônia

O TFFF difere do Fundo Amazônia, também com a Noruega como principal parceira. Entre 2009 e 2025, a Noruega contributed R$ 3,8 bilhões dos R$ 4,9 bilhões do fundo. Em 2025, o Reino Unido passou a ser o segundo maior contribuidor, com R$ 500 milhões.

O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES e já financiou centenas de ações de pequenos agricultores, comunidades tradicionais e órgãos ambientais. As medidas incluem prevenção, monitoramento, restauração florestal e apoio à regularização fundiária.

O Brasil propõe o TFFF como mecanismo de financiamento para projetos em várias regiões com florestas tropicais e pretende liberar recursos mediante comprovação da redução do desmatamento.

Contexto internacional e contradições

Apesar de ser uma das maiores financiadoras de projetos ambientais, a Noruega é também um grande exportador de petróleo e gás. Ambientalistas veem nessa contradição um desafio para a credibilidade de políticas globais de conservação.

Especialistas divergentes apontam que parcerias internacionais são importantes para liderar ações climáticas. Maurício Bianco, da Conservação Internacional, destacou a relevância da cooperação para financiamento de soluções que reduzam impactos ambientais.

O debate sobre padrões de financiamento e responsabilidade ambiental continua, com a China sinalizando interesse em aderir ao TFFF. As negociações entre autoridades brasileiras e chinesas estão em andamento para detalhar adesão.

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