- Estudo publicado na revista PNAS usa um modelo matemático para sugerir que o canibalismo pode ter virado tabu para proteger contra doenças.
- Pesquisadores Michal Misiak, da Polônia, e Petr Turecek, da República Tcheca, mostram que o consumo de carne humana aumenta o risco de doenças.
- O risco patológico cresce de forma exponencial quando canibais comem carne de outros canibais, pois a disseminação de príons é facilitada.
- Próprios príons são proteínas mal dobradas que causam danos ao sistema nervoso e doenças neurológicas; seu acúmulo ocorre com o consumo entre indivíduos da mesma espécie.
- O kuru, doença associada ao povo Fore na Papua-Nova Guiné, é citado como exemplo histórico de transmissão por canibalismo.
- A hipótese dos autores é de que os riscos ligados ao canibalismo contribuíram para a formação do tabu, funciono como proteção.
O canibalismo é tema de uma pesquisa publicada na revista PNAS nesta terça-feira, 30. O estudo sugere que o tabu não nasceu de aversão instintiva, e sim de um mecanismo de proteção contra consequências graves de comer carne humana.
Os autores usam um modelo matemático para mostrar que o consumo frequente de carne humana favorece a propagação de doenças. O risco aumenta quando canibais ingerem carne de outros canibais, pela transmissão de Príons, proteínas mal dobradas que afetam o sistema nervoso.
Príons são proteínas com estrutura anormal que podem se multiplicar dentro do organismo, causando danos cerebrais e doenças neurodegenerativas. O estudo explica como a presença dessas proteínas pode se espalhar com o canibalismo entre indivíduos da mesma espécie.
Riscos e explicações do tabu
A pesquisa indica que a transmissão de Príons pode levar a patologias graves, justificando parte do tabu social. Um exemplo histórico citado é o kuru, associado a comunidades como o povo Fore na Papua-Nova Guiné, que praticava o ritual de comer carne de parentes falecidos.
A hipótese dos pesquisadores, vinculados à Universidade de Wroclaw e à Universidade Charles de Praga, é que o tabu surgiu como uma barreira protetora frente à disseminação dessas doenças. A partir disso, o estudo propõe uma leitura alternativa sobre a origem cultural do costume.
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