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Vacina contra HPV muda o panorama do câncer de colo do útero

Vacinação contra o HPV reduz mortes por câncer de colo do útero; Inglaterra e Austrália mostram o caminho, enquanto o Brasil enfrenta desafios de acesso e desinformação

Vacinar contra o HPV é um passo essencial na prevenção de diversos tipos de câncer
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  • Estudo publicado na The Lancet mostrou que, entre 2020 e 2024, nenhuma mulher de 20 a 24 anos morreu por câncer do colo do útero na Inglaterra, resultado atribuído ao programa de vacinação contra o HPV iniciado em 2008.
  • A vacinação, que começou para meninas de 12 e 13 anos e foi ampliada para meninos, já ajudou a evitar cerca de 200 mortes desde a implementação.
  • A Inglaterra inspira políticas públicas, mas a situação no Brasil permanece desafiadora, com câncer do colo do útero ainda sendo uma causa relevante de mortalidade.
  • A Austrália é citada como exemplo de eliminação progressiva do câncer do colo do útero, com vacina e rastreamento ampliando proteção contra o HPV e outros tumores relacionados.
  • No Brasil, o SUS oferece a vacinação gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com expansão recente para jovens de 15 a 19 anos até dezembro; o desafio é ampliar a adesão e combater a desinformação, especialmente em escolas.

A vacinação contra o HPV está transformando a história do câncer de colo do útero. Dados recentes mostram que, entre 2020 e 2024, nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu pela doença na Inglaterra. O feito é atribuído ao programa de imunização iniciado em 2008.

O estudo, publicado na The Lancet, aponta que a ampliação da vacinação para meninos também colaborou para reduzir mortes. Estima-se que cerca de 200 óbitos tenham sido evitados desde o início do programa no país.

A importância do avanço é destacada pela combinação de vacinação de longo alcance e rastreamento eficaz. Mesmo com o sucesso na Inglaterra, o câncer de colo do útero permanece um grande desafio no Brasil, com barreiras de acesso à informação e à prevenção.

A experiência australiana é apresentada como referência de eliminação progressiva. O país implantou um programa robusto de imunização para meninas e meninos antes da vida sexual, aumentando a proteção contra os tipos de HPV ligados ao câncer.

Além do colo do útero, o HPV está relacionado a outros tumores. Ao ampliar a cobertura vacinal, a Austrália reduz o risco de câncer anal, vulvar, peniano e orofaríngeo, fortalecendo a prevenção como política pública.

No Brasil, o Ministério da Saúde ampliou a faixa de vacinação para jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram imunizados, com atuação em postos de saúde. O SUS oferece a vacina gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

O desafio no Brasil é levar a vacina à idade recomendada e combater a desinformação. A escola é mencionada como espaço-chave para ampliar o alcance e reforçar o papel preventivo da vacinação contra o HPV.

As experiências de Inglaterra e Austrália demonstram que resultados consistentes exigem planejamento, altas coberturas e compromisso com a saúde pública ao longo de vários anos, sem soluções rápidas.

Dr. Fernando Maluf, médico oncologista e cientista ligado ao Instituto Vencer o Câncer, reforça que a trajetória brasileira depende de investimento contínuo na vacinação, na informação correta e na adesão familiar.

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