- Estudo publicado na Science mostra que as árvores gigantes das florestas tropicais, com altura equivalente à de prédios de 20 a 30 andares, não têm mais dificuldade em transportar água nem são mais vulneráveis à seca do que as menores.
- Os pesquisadores identificaram ajustes nos conduítes do xilema, com diâmetros maiores conforme a altura, que compensam a maior resistência ao fluxo de água.
- Durante a seca severa associada ao El Niño de 2023-2024, o crescimento das árvores mais altas não caiu mais do que o das menores.
- A amostra envolveu 38 árvores da família Dipterocarpaceae, na reserva Kabili-Sepilok, na ilha de Bornéu ( Malásia), com alturas entre 7,1 e 71 metros.
- Os resultados ajudam a entender o papel dessas árvores no carbono, nas chuvas e na conservação, além de apontar a necessidade de modelos mais realistas sobre florestas diante de mudanças climáticas.
O estudo divulgado pela revista Science aponta que as árvores gigantes das florestas tropicais, com altura semelhante a edifícios de 20 a 30 andares, movem água da raiz ao topo sem sofrer mais com secas. O trabalho desmonta a ideia de que grandes alturas elevam a vulnerabilidade hídrica.
Pesquisa colaborativa entre a University of Exeter, IB-Unicamp e parceiros analisa mecanismos de sobrevivência dessas espécies. Os resultados mostram que árvores altas mantêm funcionamento hidráulico eficiente mesmo em períodos de estiagem severa.
Os pesquisadores acompanharam 38 dipterocarpos em Bornéu, na Malásia, entre 7,1 e 71 metros de altura. A coleta de dados ocorreu ao longo de mais de dois anos, incluindo secas ligadas ao El Niño de 2023-2024.
Adaptações hidráulicas
O estudo revela que os conduítes do xilema aumentam de diâmetro conforme a altura, compensando a maior resistência ao fluxo de água. Em termos práticos, é como instalar uma mangueira maior para levar água mais longe.
As folhas, sujeitas à gravidade, sofrem com menor hidratação. Mesmo assim, as árvores gigantes exibem maior tolerância à seca sem reduzir significativamente a fotossíntese, mantendo o fluxo de água.
Implicações e conservação
Os autores indicam que a compreensão dos mecanismos de embolia e das respostas microclimáticas é crucial para modelos de florestas em mudanças climáticas. A pesquisa reforça o papel das árvores gigantes no carbono e no ciclo de chuvas.
Rowland, Oliveira e Groenendijk ressaltam a necessidade de estudar mais as trajetórias de crescimento e as variações entre idades das árvores. Dados de campo ajudam a prever respostas a climas cada vez mais secos.
Panorama regional e continuidade
No Brasil, cientistas participam do Projeto Gigante, coletando dados na Amazônia para mapear causas de mortalidade de árvores altas. A iniciativa envolve o Cary Institute e o Inpa, visando entender impactos em ecossistemas tropicais.
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