- Seca histórica de 2024 na Amazônia afetou 186 mil famílias no Amazonas, levando ao isolamento de comunidades, com dificuldades de água potável e transporte.
- A Organização Meteorológica Mundial elevou o alerta para um El Niño potencialmente recorde, com 30% de chance de forte e 37% de possibilidade de muito forte em 2026.
- O fenômeno costuma durar entre nove e doze meses, elevando temperaturas globais e aumentando o risco de extremos climáticos até 2027.
- Em áreas da região, houve atrasos na entrega de insumos médicos em Envira e queda na produção de castanha no Xingu em 2025, além de redução da pesca artesanal.
- Especialistas sugerem dragagem de rios para manter a navegabilidade em meio à seca e destacam a necessidade de adaptação climática e de infraestrutura para enfrentar o eventual Super El Niño.
A seca histórica de 2024 na Amazônia deixou comunidades ribeirinhas isoladas, famílias sem água e remédios, e pescadores sem peixe para vender. O fenômeno foi impulsionado por um El Niño persistente, aliado ao aquecimento do Atlântico Norte e às mudanças climáticas.
A Organização Meteorológica Mundial monitora um novo El Niño com potencial de recorde. Em 3 de julho, a OMM elevou a projeção de rápido desenvolvimento de um evento forte nos próximos meses, com impactos que podem se estender até 2027.
O registro histórico aponta que 186 mil famílias no Amazonas foram afetadas, com impactos na navegabilidade de rios e no acesso a serviços básicos. O novo ciclo de seca pode repetir esse cenário de isolamento.
O El Niño e as previsões da OMM
Segundo a OMM, a probabilidade de um El Niño forte em 2026 é de 30%, e de intensidade muito forte chega a 37%. As estimativas podem ser atualizadas conforme surgirem novas informações técnicas. A tendência global aponta para condições climáticas extremas.
A previsão inicial, no início de junho, apontava um El Niño moderado a possivelmente forte. As autoridades ressaltam que os efeitos devem aparecer em diferentes regiões até o fim do ano, com possibilidade de se estender até 2027.
Impactos na Amazônia
O isolamento é o primeiro reflexo esperado. Rios com níveis mais baixos dificultam acesso à água potável, deslocamentos e transporte de bens, prejudicando saúde e educação de comunidades ribeirinhas.
Em Envira, no Amazonas, houve atraso superior a 10 dias na entrega de oxigênio e medicamentos por conta da queda na navegabilidade. A base produtiva local, que sustenta povos tradicionais, corre risco de colapso.
A pesca artesanal foi fortemente afetada pela seca de 2024, reduzindo a oferta de peixes e pressionando a segurança alimentar. O aumento da temperatura da água também elevou a mortandade de peixes e de botos.
No Pará, o Rio Xingu registrou a menor safra de castanha já observada em 2025, evidenciando o alcance setorial das mudanças climáticas. Períodos de estiagem costumam prejudicar comunidades mais vulneráveis.
Medidas em discussão
Especialistas apontam a dragagem de rios como medida de curto prazo para manter corredores de navegabilidade durante a seca. A iniciativa pode facilitar transporte de insumos e serviços.
Também é enfatizada a necessidade de estratégias de adaptação climática e de infraestrutura para enfrentar um possível Super El Niño, com foco em resiliência de comunidades locais e cadeias produtivas da região.
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