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IA pode ajudar no tratamento do câncer, mas evidências ainda são necessárias

IA pode orientar rastreamento personalizado em câncer, mas exige validação prospectiva e cautela na prática clínica

Novos estudos revelam o potencial da tecnologia em orientar o rastreamento individualizado do câncer e em ampliar a medicina de precisão
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  • Um estudo apresentado na Asco 2026 mostra que a IA pode orientar rastreamento individualizado em câncer e ajudar a prever metástase cerebral em câncer de mama avançado, com o modelo CNSPredict.
  • Em dois anos após o diagnóstico de câncer metastático, cerca de 5% das mulheres de baixo risco apresentaram metástases cerebrais, enquanto ~25% das de alto risco tiveram esse avanço.
  • O CNSPredict utiliza informações clínicas, características do tumor e alterações genéticas; foi desenvolvido com dados do Memorial Sloan Kettering e validado por instituições independentes.
  • Limitações incluem a inclusão apenas de pacientes com sequenciamento genômico; diretrizes atuais não recomendam rastreamento cerebral rotineiro em pacientes assintomáticos; o estudo Brainstorn deve comparar vigilância intensificada por ressonância magnética com o acompanhamento convencional.
  • Além disso, a IA é explorada em gêmeos digitais, patologia digital e revisão de prontuários para ampliar encaminhamentos e personalizar tratamentos, sempre como apoio à decisão clínica.

A IA mostra potencial como aliada na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer. Estudos apresentados na Asco 2026, nos Estados Unidos, indicam que modelos de machine learning ajudam a identificar, de forma mais precoce, pacientes com risco elevado de metástase cerebral em câncer de mama avançado.

Pesquisadores observaram um grupo de pacientes e encontraram que cerca de 25% das pacientes de alto risco desenvolveram metástases cerebrais em até dois anos após o diagnóstico de câncer metastático. O CNSPredict estima o risco individual com base em dados clínicos, tumor e genética.

O estudo teve origem em dados do Memorial Sloan Kettering e teve validação por instituições independentes, mostrando que o algoritmo classifica mulheres com diferentes probabilidades de disseminação, variando conforme o perfil de risco.

Potencial da IA no rastreamento

Entre 5% e 25% de mulheres com câncer metastático variam de acordo com o risco. O câncer de mama triplo-negativo destacou-se como fator associado a metástases cerebrais, devido à agressividade da doença e à ausência de receptores hormonais e HER2.

Funciona com gêmeos digitais, que criam representações virtuais de pacientes integrando clínica, imagem, genômica e histórico de tratamento. A prática pode orientar decisões diagnósticas e monitoramento direcionado.

Limites e próximos passos

Ainda há limitações: o estudo utilizou apenas pacientes com sequenciamento genômico específico, o que pode limitar a aplicação. Diretrizes atuais não recomendam rastreamento cerebral rotineiro em pacientes assintomáticos.

A próxima etapa envolve o Brainstorn, estudo clínico randomizado que compara vigilância intensificada por MRI com o acompanhamento convencional em alto risco pelo algoritmo. Resultados são aguardados para validar o uso clínico.

Aplicações além do consultório

A IA tem potencial na análise de grandes bases de dados de saúde, acelerando indicações de rastreamento. Em uma pesquisa da Asco, prontuários eletrônicos foram revisados para identificar pacientes elegíveis a rastreamento do câncer de pulmão, ampliando encaminhamentos para tomografia de baixa dose.

Especialistas destacam que essas ferramentas podem tornar a prática mais personalizada e eficiente, ao checar aderência às diretrizes e resultados de tratamento, com apoio à decisão clínica.

Avanços em diagnóstico e fármacos

Modelos de gêmeos digitais também foram usados para prever a evolução de pacientes com câncer de pulmão, simulando cenários de tratamento alternativos. Em patologia digital, algoritmos analisam lâminas para estimar risco de recorrência e benefício de tratamentos mais intensos, sem exames moleculares adicionais.

Parcerias entre IA e fármacos continuam em expansão, para identificar moléculas, entender a biologia tumoral e modelar respostas terapêuticas ainda na pesquisa inicial. A prática clínica deve, contudo, permanecer embasada em evidências prospectivas.

Miguel Zugman, médico do Einstein Hospital, ressalta que a IA pode indicar quem realmente precisa de exames, evitando sobrecarga. O objetivo não é substituir diretrizes, mas aprimorar o rastreamento e o acompanhamento conforme o risco individual.

Texto escrito por Moura Leite Netto, da Agência Einstein

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