- Estudiosos avaliando inclisirana, medicação à base de RNA aplicada semestralmente, para reduzir LDL em pessoas com alto risco cardiovascular; comparou-a a tratamento otimizado com placebo.
- Em 90 dias, 84,9% dos pacientes recebendo inclisirana atingiram a meta de LDL, frente a 31% no grupo sem o fármaco inovador.
- Ao final de 360 dias, houve redução média de LDL de 59,5% no grupo com inclisirana, contra 24,3% no grupo sem o medicamento.
- A inclisirana age via RNA de interferência pequeno (siRNA), silenciando a produção da proteína PCSK9, o que facilita a remoção do LDL do sangue; as aplicações são semestrais.
- A tolerabilidade foi melhor com inclisirana: eventos adversos, incluindo dores musculares, ocorreram em 11,9% do grupo com inclisirana vs 19,2% no grupo sem o fármaco.
O estudo publicado no European Heart Journal avalia a inclisirana, terapia genética à base de RNA com aplicação semestral, para reduzir o LDL sem aumentar dores musculares. Participaram 1.770 adultos com colesterol elevado e alto risco cardiovascular. A pesquisa ocorreu com centro associado ao Deutsches Herzzentrum der Charité, em Berlim, na Alemanha. O objetivo foi testar a eficácia da inclisirana somada aos tratamentos padrão de redução do LDL versus placebo com a mesma base de tratamento.
Os participantes foram randomizados para receber inclisirana mais a terapia padrão otimizada ou placebo mais a mesma otimização. A avaliação inicial ocorreu em 90 dias, com desfechos intermediários de LDL e tolerabilidade. Ao redor de 360 dias, foram observados dados de eficácia duradoura e segurança do tratamento.
Resultados-chave
Em 90 dias, 84,9% do grupo com inclisirana atingiram a meta de LDL, contra 31% do grupo sem o medicamento. A diferença é destacada pela eficácia da combinação com a terapia existente. A redução média de LDL ao fim de 360 dias foi de 59,5% no grupo com inclisirana versus 24,3% no grupo apenas com tratamento otimizado.
Como funciona e implicações
A inclisirana atua via RNA de interferência para silenciar a mensagem genética que gera a proteína PCSK9, facilitando a remoção do LDL pelo organismo. Diferente das estatinas, que reduzem a produção de colesterol no fígado, a estratégia com siRNA apresenta um mecanismo distinto. Aplicações semestrais podem favorecer a adesão de pacientes.
Tolerabilidade e desfechos secundários
Dores musculares foram menos frequentes no grupo com inclisirana: 11,9% frente 19,2% no grupo de terapia otimizadas sem o medicamento. Houve melhoria em medidas de dor e interferência na vida diária, embora alguns resultados tenham sido modestos. Esses dados sugerem vantagem na tolerabilidade em comparação com a estratégia apenas com estatinas.
Contexto clínico
O LDL desempenha papel central na formação de placas nas artérias, associadas a infarto e AVC. Em pacientes de alto risco, metas de LDL costumam ser mais baixas, exigindo estratégias eficazes para alcançá-las e mantê-las. O estudo reforça a ideia de combinar abordagens terapêuticas, incluindo opções inovadoras, para reduzir o risco cardiovascular.
Observações finais
A pesquisa não recomenda abandono das estatinas, que permanecem seguras e eficazes. Em alguns pacientes, a associação com inclisirana pode ampliar a chance de alcançar metas de LDL e melhorar a tolerabilidade do tratamento a longo prazo. Foram credenciadas as instituições e a equipe envolvida ao conjunto de dados apresentados.
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