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Processo geológico fez o polo Sul congelar antes do Norte

Ondas do manto elevaram as Montanhas Gamburtsev, levando à formação de gelo na Antártida oriental há cerca de 34 milhões de anos, antes do Ártico

Um pinguim desliza sobre o mar de Ross congelado, próximo à Ilha de Ross, na Antártida
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  • Um processo geológico antigo elevou a região leste da Antártida, permitindo a formação e expansão de geleiras.
  • Esse fenômeno ocorreu há cerca de 34 milhões de anos, antes do que ocorreu no Ártico.
  • A elevação foi estimulada por ondas do manto desencadeadas durante a fragmentação de Gondwana, há mais de 160 milhões de anos.
  • A subida elevou o planalto da região central da Antártida oriental, incluindo as Montanhas Gamburtsev, acima do limiar necessário para manter gelo permanente.
  • Estudo, publicado na revista Science, usa topografia antiga e modelos computacionais para reconstruir a evolução da superfície do continente.

Um estudo publicado na revista Science explica por que a Antártida congelou cerca de 34 milhões de anos atrás, bem antes do Ártico. A pesquisa aponta que um processo geológico elevou uma cadeia de montanhas no leste antártico, atingindo um patamar que favoreceu a formação de gelo.

Ao analisar a topografia da Antártida e usar modelos computacionais, os pesquisadores identificaram que as ondas do manto induziram elevação de terreno. Esse impulso elevou o relevo acima do limiar necessário para manter a neve durante o ano.

A descoberta situa-se no início do Oligoceno, pouco depois do Eoceno. As Montanhas Gamburtsev, no centro da Antártida oriental, foram moldadas por esse fenômeno, levando à criação de uma ampla camada de gelo, mesmo em clima global relativamente quente na época.

O estudo, liderado pelo geocientista Thomas Gernon, da Universidade de Southampton, explica que as ondas do manto ocorreram durante a fragmentação de Gondwana. Elas deslocaram rochas densas, tornando os continentes mais leves e promovendo elevações significativas.

Segundo Gernon, o processo fez com que grandes áreas do leste antártico superassem o limiar de altitude para a preservação permanente de gelo por volta de 45 milhões de anos atrás. Cerca de 90% da região já estava acima desse patamar há 34 milhões de anos.

Thea Hincks, coautora do estudo, destaca a importância da interação entre mudanças climáticas e topográficas. O trabalho reforça que o acúmulo de gelo depende tanto da temperatura quanto da elevação do terreno.

Em comparação, o Ártico não apresentou uma calota de gelo estável naquela época. A falta de terra firme impediu alcançar o limiar de altitude mais cedo, e o esfriamento global só ocorreu com redução de CO2 antes que o gelo permanente surgisse em áreas elevadas.

A pesquisa usa dados geológicos e simulações para retratar a evolução da superfície antártica. Os autores enfatizam que a combinação entre tectônica de placas e clima definiu onde o gelo se estabeleceria no transcurso entre os Eoceno e Oligoceno.

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