- Pesquisas de 2025 no Instituto Weizmann, em Israel, com C. elegans e ratos, investigaram diferenças sexuais na resposta cerebral a dor e estresse; fêmeas recuam diante de estímulos dolorosos, machos os ignoram.
- O trabalho com o nematoide mostrou que é possível avaliar células individuais e observar comportamentos diferentes entre organismos XX (fêmeas) e XY (machos), com grande semelhança genética a humanos.
- As pesquisadoras defendem que o sexo biológico deve ser considerado na pesquisa clínica para reduzir o viés histórico a favor de homens.
- Em humanos, há maior propensão de mulheres a depressão, ansiedade e transtornos alimentares, enquanto homens apresentam maior incidência de autismo, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade e esquizofrenia.
- A ideia de mosaico cerebral sugere que não há divisão binária rígida entre cérebros masculino e feminino; o cérebro é único e influenciado por idade, saúde cardiovascular, educação e histórico de estresse.
Duas pesquisas do Instituto Weizmann, em Israel, publicadas em 2025 nas revistas Nature Communications e Science Advances, investigaram como diferenças sexuais influenciam a resposta cerebral a estímulos de dor e estresse. Os estudos combinaram modelos em C. elegans e, depois, em ratos, para mapear conexões neurais.
Com apenas centenas de neurônios, o verme foi usado para avaliar o comportamento de células individuais em organismos XX (fêmeas) e XY (machos). Os resultados indicam padrões distintos de ativação neuronal entre os sexos diante de estímulos dolorosos.
As pesquisadoras, lideradas por Meital Oren-Suissa, sugerem que a evolução pode ter preservado esse contraste: machos tendem a ignorar alguns estímulos, enquanto fêmeas recuam, possivelmente protegendo gametas. A hipótese envolve diferenças genéticas e hormonais que moldam circuitos neurais.
O trabalho também integrou análises em ratos para confirmar a presença de divergências neurais entre sexos em vertebrados. A equipe observa que, além de genes conservados, proteínas ausentes em machos podem tornar estes mais sensíveis a certos estímulos.
Impacto humano e interpretações clínicas
Specialistas lembram que as diferenças no sistema nervoso entre sexos têm consequências clínicas perceptíveis. Em mulheres, há maior cenário de depressão, ansiedade e transtornos alimentares. Em homens, a prevalência é associada a autismo, TDAH e esquizofrenia.
Embora importante, o conceito de cérebro binário é considerado inadequado para a prática clínica individual. A noção de mosaico cerebral ganha espaço para explicar variações entre pessoas, levando em conta fatores como idade, saúde cardiovascular, educação e histórico de estresse. O sexo biológico é apenas um dos elementos.
Em síntese, as pesquisas do Weizmann indicam que diferenças sexuais influenciam a organização neural de formigadores simples a modelos complexos, passando por ratos. Os resultados reforçam a necessidade de considerar sexo biológico na pesquisa clínica e no desenvolvimento de terapias mais precisas para diferentes perfis.
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