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Grandes mamíferos elevam fertilidade da Mata Atlântica

Estudo mostra que antas, queixadas, catetos e veados elevam a fertilidade do solo da Mata Atlântica ao modificar serrapilheira e química do solo

Na imagem, uma anta; segundo estudo, esses mamíferos alteram a composição química da serrapilheira e do solo em florestas tropicais da Mata Atlântica brasileira
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  • Estudo publicado na revista Ecological Monographs aponta que antas, queixadas, catetos e veados alteram a composição da serrapilheira e do solo na Mata Atlântica brasileira, aumentando a disponibilidade de nutrientes e possivelmente a fertilidade do solo.
  • Pesquisadores do CBioClima, CE… (CEPID) e Instituto de Biociências da Unesp, com apoio da Fapesp, destacam a importância desses grandes mamíferos para a sobrevivência a longo prazo do bioma.
  • O experimento comparou áreas com passagem livre de mamíferos e áreas cercadas para impedir a presença deles, em parques no sul de São Paulo, demonstrando menor acidez e maior disponibilidade de cálcio quando os animais estavam presentes.
  • Observou-se redução da lignina na serrapilheira e maior diversidade de materiais (folhas, galhos, frutos, sementes) quando houvesse mamíferos, facilitando a decomposição no solo.
  • Pesquisas futuras avaliam o efeito desses herbívoros sobre nematoides no solo, indicativos de saúde do ecossistema; o estudo atual integra o projeto DEFAU-BIOTA, em Serra do Mar desde 2009.

Um estudo publicado na revista Ecological Monographs aponta que grandes mamíferos — antas, queixadas, catetos e veados — modificam a composição química da serrapilheira e do solo na Mata Atlântica brasileira, elevando a disponibilidade de nutrientes e potencial fertilidade do solo. A pesquisa é conduzida pelo CBioClima, CEPI D, com apoio da Fapesp, no IB-Unesp, em Rio Claro.

A investigação compara áreas da Mata Atlântica com passagem livre desses animais com áreas cercadas para impedir sua entrada. Foram analisadas dez parcelas abertas e dez fechadas no Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo, no Vale do Ribeira, SP, originando dados desde 2009.

Resultados indicam menor acidez do solo onde há mamíferos, além de menor concentração de alumínio, o que favorece a fertilidade. A presença dos herbívoros também afeta a serrapilheira, reduzindo lignina e favorecendo a decomposição dos materiais na superfície do solo.

Casos de maior diversidade na serrapilheira foram observados nas áreas com mamíferos. A composição de folhas, galhos, frutos e sementes ficou mais equilibrada, favorecendo a ciclagem de nutrientes e processos decompositivos.

A pesquisa também destaca que esses herbívoros atuam como engenheiros de ecossistema, influenciando a paisagem, a química do solo e a dinâmica de espécies na Mata Atlântica. O estudo é coordenado por Mauro Galetti, do IB-Unesp, com participação de Letícia Gonçalves Ribeiro, autora principal.

O projeto DEFAU-BIOTA sustenta a pesquisa desde 2009 e recebe apoio da Fapesp, no Programa BIOTA. Parcelas abertas e fechadas são parte de um mosaico de áreas protegidas da Mata Atlântica na região sudeste, com uso de câmeras para estimar a biomassa animal.

Em etapas futuras, a equipe analisa impactos dos grandes mamíferos em nematoides do solo, indicadores da qualidade do ecossistema. Pesquisas anteriores já mostraram que a ausência de grandes herbívoros reduz nitrogênio no solo e altera relações ecológicas.

O artigo Mammals’ zoogeochemical effects change litter and soil biogeochemistry in a tropical rainforest descreve os resultados atuais. O estudo completo está disponível aos leitores sem termos de opinião, mantendo o foco factual.

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