- Sete dicionários bilíngues com o português estão disponíveis na plataforma Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas, abrangendo kanoé, oro win, puruborá, sakurabiat, salamãi, wanyam e o dicionário de lugares sagrados dos medzeniakonai.
- Quatro dicionários estão em fase de finalização para as línguas makurap, djeoromitxi, wayoro e kuyubim.
- O projeto é desenvolvido por linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi em parceria com instituições científicas, incluindo a University of New Mexico, visando revitalizar línguas e saberes tradicionais.
- Os dicionários multimídia combinam áudio, vídeo e imagem, com entradas ilustradas, e podem funcionar sem conexão à internet para uso em campo.
- A iniciativa é apontada como uma tecnologia social que nasce da colaboração entre comunidades indígenas e academia, com relatos de impacto positivo na transmissão geracional da língua.
Sete dicionários bilíngues com o português estão disponíveis na plataforma Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas. A iniciativa ocorre no contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas, proclamada pela ONU para 2022-2032, com o objetivo de revitalizar saberes e ampliar a visibilidade dessas línguas.
O projeto é desenvolvido por linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e instituições parceiras. As ferramentas digitais ajudam comunidades a preservar vocabulários, estruturas gramaticais e usos culturais, fortalecendo a transmissão intergeracional.
A umidade do contexto histórico também aparece: muitas línguas estão em risco de desaparecer, conforme apontado por estudos sobre bioculturalidade. A Amazônia abriga a maior concentração de povos originários do Brasil, com cerca de duas terças partes de um conjunto estimado entre 150 e 170 línguas faladas no território.
Dicionários que revitalizam línguas
Os dicionários estão disponíveis para as línguas kanoé, oro win, puruborá, sakurabiat, salamãi, wanyam e o conjunto de lugares sagrados dos medzeniakonai. Outros quatro dicionários — makurap, djeoromitxi, wayoro e kuyubim — estão em fase de finalização. A plataforma integra recursos multimídia como áudio, vídeo e imagens, facilitando a pronúnia e o uso em frases.
A iniciativa envolve o Museu Goeldi e o Departamento de Linguística da University of New Mexico, com apoio de metodologia participativa. O modelo utiliza software de código aberto e permite uso offline, assegurando acessibilidade sem necessidade de conexão constante.
Parcerias e impacto comunitário
A parceria entre pesquisadores e comunidades falantes assegura demanda, planejamento, documentação de campo e validação tecnológica. O projeto funciona como uma tecnologia social voltada para a revitalização linguística, contribuindo para ações de ensino e continuidade cultural.
Em comunidades com poucos falantes, os dicionários digitais servem como ferramenta inicial de aproximação com a língua tradicional. Em áreas com fluentes, atuam como reforço didático para a transmissão de vocabulário e estruturas.
A experiência prática já é observável no cotidiano de pesquisadoras indígenas, que relatam benefícios na transmissão de conhecimentos e na valorização de histórias locais. O material fica disponível para usos educativos e de preservação, promovendo uma leitura mais fiel dos saberes tradicionais.
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