- Em 2023, foram registrados 259 mil óbitos por meningite no mundo, com mais de 2,5 milhões de casos; a queda é real, mas o ritmo fica abaixo da meta da Organização Mundial da Saúde para reduzir 70% das mortes até 2030.
- O estudo, que analisa 17 patógenos, mostra avanços no combate, mas aponta que não há sinais de aceleração suficiente para cumprir as metas globais.
- Crianças com menos de cinco anos foram as mais afetadas, respondendo por mais de 86.600 mortes; a vacinação precoce é crucial para reduzir a mortalidade.
- No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece vacinas contra pneumococo, meningococo e Haemophilus; em 2025, a vacinação contra meningococo atingiu 90,7% do público-alvo, ainda abaixo da meta de 95%.
- Em 3 de junho, o Ministério da Saúde anunciou a vacinação com a pneumo 20 no SUS; o objetivo é ampliar a proteção, especialmente para grupos prioritários, mantendo a vigilância sobre uso adequado de antibióticos.
O número de mortes por meningite no mundo permanece em queda, mas o ritmo é inferior ao previsto pela OMS. Um estudo publicado na edição de maio da Lancet Neurology analisou dados de 2023 do Global Burden of Disease Study e aponta que a redução global ainda não atinge a meta de diminuir 70% das mortes desde 2015.
A pesquisa abrange 17 patógenos causadores da meningite e representa a avaliação internacional mais ampla já realizada. Embora haja avanço, o estudo alerta que o mundo não chegará às metas para 2030 sob o atual cenário de vacinação e acesso aos serviços de saúde.
Em 2023 foram contabilizadas 259 mil mortes por meningite, frente a cerca de 300 mil em 2015. O resultado indica desaceleração após ganhos iniciais com imunização, segundo especialistas ouvidos pelo estudo.
A pesquisadora principal do levantamento reforça que o progresso depende de ampliar a cobertura vacinal, ajustar a oferta de diagnósticos e reduzir desigualdades no acesso a serviços de saúde, especialmente em países de baixa renda.
O que é meningite? A doença envolve inflamação das meninges, pode ser bacteriana ou viral e é uma das principais causas de deficiências neurológicas no mundo. Em 2023, houve mais de 2,5 milhões de novos casos, com crianças abaixo de 5 anos representando boa parte das mortes.
A gravidade é maior entre os pequenos, que podem morrer rapidamente sem tratamento adequado. A vacinação precoce, com doses aos 3, 5 e 12 meses, é crucial para reduzir a mortalidade. Diagnóstico rápido e tratamento oportuno também ajudam a salvar vidas.
Entre os agentes mais comuns em 2023 estão Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e enterovírus não poliomielíticos. Fatores de risco incluem baixo peso ao nascer, prematuridade e poluição do ar doméstica, além das condições socioeconômicas.
Vacinação como papel-chave
A imunização é o principal instrumento de controle, porém a cobertura é desigual entre países. A África Subsaariana, historicamente, registra menos adesão a campanhas vacinais, o que sustenta o contágio e a mortalidade.
No Brasil, o SUS inclui vacinas contra pneumococo, meningococo e Haemophilus. A vacinação completa reduz a circulação de patógenos e protege a população. Ainda assim, a cobertura permanece aquém da meta em várias faixas etárias.
O Ministério da Saúde anunciou, em junho, a ampliação com a pneumo 20, que protege contra 20 sorotipos da Streptococcus pneumoniae. Grupos prioritários incluem crianças até 5 anos e idosos, além de pessoas com condições clínicas específicas.
Mesmo com a imunização, há agentes sem vacina disponível. O estreptococo do grupo B, por exemplo, afeta crianças pequenas. A gestante precisa de acompanhamento para prevenir transmissão ao bebê por via materna.
Uso de antibióticos e vigilância
O uso de antibióticos deve seguir orientação médica para evitar resistência. Automedicação aumenta riscos de agravamento e complicações. Em casos de meningite, buscar atendimento rápido é essencial para tratamento eficaz.
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