- Estudo publicado no PNAS Nexus, liderado pela pesquisadora Akshina Banerjee, examinou dois tipos de confiança: geral (“tudologia”) e confiança em temas específicos.
- Participaram cerca de 500 voluntários americanos, com dois testes: imagens muito embaçadas para medir confiança geral e uma lista de vinte manchetes (dez verdadeiras, dez falsas) para avaliar acerto e confiança específica.
- Nas imagens embaçadas, quem tinha maior confiança geral foi quem errou mais nas manchetes.
- Já quem tinha alta confiança sobre as notícias específicas tende a acertar mais as respostas.
- Conclusão: o discernimento melhora quando se evita o piloto automático e se avalia de forma específica; as causas não foram exploradas, e é necessário considerar fatores estruturais da desinformação.
A pesquisa publicada no PNAS Nexus mostra que a autoconfiança pode ter efeitos diferentes, dependendo do tipo de convicção. O estudo investiga se acreditar saber tudo leva a aceitar informações falsas ou se a confiança em temas específicos pode favorecer o discernimento.
Conduzido por Akshina Banerjee, da Universidade de Michigan, o trabalho compara dois tipos de confiança: a confiança generalizada e a confiança em conhecimentos específicos. Os pesquisadores utilizaram experimentos com voluntários nos EUA para entender a relação com desinformação.
Em um primeiro teste, participantes foram expostos a imagens turvas e deveriam indicar qual desenho era o verdadeiro. Logo em seguida, estimaram quantas acertaram, servindo como medida de autoconfiança geral.
No segundo passo, participaram de uma lista com 20 manchetes, metade verdadeiras e metade falsas. A tarefa incluía também avaliar o nível de confiança nas respostas, em uma escala de 1 a 7.
Os resultados mostraram que quem apresentava maior confiança geral era justamente o grupo que mais errava nas perguntas das imagens. Já a confiança específica sobre as noticias estava associada a maior precisão.
Os autores destacam que a desinformação não resulta de um único fator. Além da autoconfiança, variáveis como pertencimento a grupos e contextos econômicos podem influenciar o consumo de conteúdos incorretos.
O estudo lança luz sobre a necessidade de estratégias que ampliem o discernimento, especialmente ao sair do piloto automático. Ainda assim, reconhece limitações e ressalva que causas profundas exigem novas pesquisas.
Metodologia
A equipe liderada por Banerjee realizou experimentos com cerca de 500 voluntários norte-americanos, combinando testes de percepção visual e avaliação de veracidade de manchetes.
Implicações
Os resultados sugerem que campanhas de alfabetização midiática devem enfatizar o raciocínio específico, ao invés de apostar em autoconfiança geral como indicador de competência.
Limitações
Os autores mencionam que variáveis sociais e institucionais também moldam a vulnerabilidade à desinformação, demandando estudos adicionais.
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