- Pesquisadores do Projeto EcoShark da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificaram a presença de sertralina, antidepressivo, no cérebro de tubarões-martelo capturados no litoral do Rio de Janeiro.
- O achado, o primeiro registrado no Brasil, ocorreu em tubarões das espécies tubarão-martelo-recortado e tubarão-martelo-liso, capturados em pontos como Copacabana, Barra da Tijuca, Recreio e Guaratiba.
- A substância foi detectada principalmente no cérebro, apesar de análises incluir fígado, músculo, brânquias e ampolas de Lorenzini; o estudo levou cerca de três anos para ficar pronto.
- Os resultados ainda não foram revisados por pares; o artigo deverá ser submetido a uma revista científica até o fim deste mês.
- A pesquisa busca entender se a sertralina afeta os níveis de serotonina e o comportamento dos tubarões, além de avaliar se filhotes, juvenis e adultos apresentam diferentes níveis de contaminação. A contaminação pode ocorrer pela água ou pela alimentação, via presas contaminadas.
O grupo de pesquisa EcoShark, da UFRJ, identificou a presença da sertralina, antidepressivo, no cérebro de tubarões-martelo capturados no litoral do Rio de Janeiro. A descoberta ocorre em tubarões de duas espécies e aponta para contaminação por resíduos de medicamentos nos oceanos.
Os animais foram capturados acidentalmente por pescadores parceiros do projeto em pontos como Copacabana, Barra da Tijuca, Recreio e Guaratiba. A análise envolveu tecidos como fígado, músculo, brânquias, cérebro e ampolas de Lorenzini, ao longo de cerca de três anos de trabalho.
A pesquisadora Mariana Alonso explica que a sertralina apareceu principalmente no cérebro, diferente do esperado, já que contaminantes costumam se acumular no fígado. Mesmo assim, não há confirmação de efeitos em comportamento dos tubarões até o momento.
A dupla de espécies estudadas abrange o tubarão-martelo-recortado, classificado como criticamente ameaçado, e o tubarão-martelo-liso, considerado vulnerável. Autores ressaltam que os resultados ainda passarão pela revisão por pares.
A equipe não divulgou o número exato de tubarões em que a substância foi identificada, já que o estudo aguarda a avaliação científica. O texto deverá ser submetido a uma revista até o fim deste mês.
A sertralina pode chegar aos tubarões pela água ou pela alimentação, conforme o metabolismo da espécie. A pesquisadora destaca que a presença no cérebro é preocupante por ser o principal alvo da droga em humanos.
A pesquisa busca entender se a contaminação influencia os níveis de serotonina nos tubarões e se tende a alterar seu comportamento. Estudos com peixinhos-zebra indicam efeitos como mudanças na natação e na aprendizagem, mas ainda não há confirmação em tubarões.
A próxima etapa envolve ampliar a amostra, incluindo filhotes, juvenis e adultos, para verificar variações de contaminação e possível transferência materna. Os efeitos de longo prazo sobre a população de tubarões permanecem incertos.
Além da sertralina, os pesquisadores já identificaram em trabalhos anteriores outros contaminantes, como filtros solares, inseticidas e resíduos industriais. A combinação dessas substâncias pode potencializar impactos nos oceanos.
Mariana Alonso comenta que a transformação de evidências em políticas públicas costuma levar anos, exigindo mais estudos para justificar restrições. A pesquisadora reforça o papel dos tubarões como sentinelas dos oceanos.
A equipe ressalta que a contaminação por medicamentos evidencia falhas no tratamento de esgoto, apesar de Rio de Janeiro possuir estações que não removem completamente esses poluentes. A conclusão aponta para o alcance de resíduos cotidianos no ambiente marinho.
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