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Como são escolhidas as cepas da vacina da gripe

OMS monitora cepas do influenza em centenas de países para atualizar vacinas; Brasil participa via CeVivas e Butantan fabrica as doses sazonais

O vírus influenza possui uma série de peculiaridades, a começar pela sua variedade; na foto, vacina da gripe
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  • O vírus da gripe possui tipos A, B e C; apenas A e B provocam epidemias sazonais, com A apresentando subtipos como H1N1 e H3N2.
  • A composição das vacinas envolve as cepas que circulam, com a OMS recomendando a inclusão da cepa Victoria para o influenza B desde a pandemia de covid-19.
  • A vigilância global, realizada pelo GISRS da Organização Mundial da Saúde, envolve laboratórios em mais de 130 países e orienta as atualizações sazonais das vacinas.
  • No Brasil, o monitoramento é feito por Lacens, Fiocruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas, com compartilhamento de dados ao CDC e à OMS.
  • O CeVivas, ligado ao Butantan, atua na vigilância genômica e na compreensão de como o influenza circula no país, contribuindo para ajustes da campanha de vacinação.

O vírus da gripe é dinâmico e exige atualização constante das vacinas. A decisão sobre quais cepas entrarão na formulação anual envolve OMS, GISRS e especialistas nacionais. No Brasil, o processo envolve redes nacionais de vigilância e laboratórios de referência.

A influenza possui três tipos conhecidos (A, B e C), sendo A e B responsáveis por epidemias sazonais. A forma A circula com subtipos como H1N1 e H3N2. Para a vacina, são considerados os subtipos mais comuns na população humana.

O vírus muta rapidamente, principalmente na região da cabeça da hemaglutinina. Isso pode reduzir a eficácia da vacina de uma temporada para a seguinte, exigindo revisões periódicas da composição das doses.

O rearranjo antigênico, quando ocorre, pode alterar a infectividade e a virulência. Técnicos estudam como essas mudanças afetam a circulação do vírus e a resposta imune induzida pela vacinação.

Desde a década de 1940, o mundo acompanha o influenza pela prática de vigilância da OMS. O objetivo é indicar atualizações anuais das vacinas para os hemisférios Sul e Norte e detectar mutações relevantes rapidamente.

A rede GISRS coordena laboratórios em mais de 130 países. No Brasil, um grupo de vigilância reúne 27 Lacens e três laboratórios de referência: Fiocruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas.

As sentinelas de saúde coletam amostras de pacientes com Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave para caracterização inicial. Amostras são enviadas aos Lacens e, mensalmente, a batch é encaminhada aos centros de referência.

Os laboratórios de referência realizam análises detalhadas, como caracterizações antigênicas e genéticas. Dados são compartilhados com o CDC, nos EUA, para avaliação regional e mundial.

O CDC reúne informações de Américas, Reino Unido, Austrália e Japão. A OMS analisa esses dados para definir as cepas que comporão as vacinas com seis meses de antecedência, para permitir a fabricação.

Para a campanha 2026, o hemisfério Sul incluiu A/Missouri/11/2025 (H1N1), A/Singapura/GP20238/2024 (H3N2) e B/Áustria/1359417/2021 (Victoria). As mudanças foram em relação ao ano anterior.

Para o hemisfério Norte, as cepas indicadas foram A/Missouri/11/2025 (H1N1), A/Darwin/1454/2025 (H3N2) e B/Tóquio/EIS13-175/2025 (Victoria). Todas sofreram alterações em relação à eleição anterior.

O Instituto Butantan lidera a produção anual de mais de 80 milhões de doses no Brasil. Após os anúncios da OMS, inicia-se a fabricação para os dois hemisférios, com distribuição ao SUS em diversas regiões.

A vacinação continua sendo a principal ferramenta para reduzir casos graves, internações e mortes. Em 2026, o imunizante trivalente já está disponível em várias regiões, com políticas diferentes por estado para determinadas faixas etárias.

O CeVivas, ligado ao Butantan, atua na vigilância genômica da gripe no Brasil. O centro coleta dados para entender quais vírus circulam, ajudando a adaptar estratégias de saúde pública e a compreender a disseminação regional.

Estudos do CeVivas apontam que a região Sudeste tem papel central na dispersão do influenza pelo país, funcionando como ponto de exportação para a América do Sul. Com isso, há mais insights para ações de vigilância.

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