- Especialistas destacaram crédito, assistência técnica e políticas públicas como gargalos para ampliar SAFs na Amazônia durante a II Semana do Clima da Amazônia.
- SAFs combinam árvores com culturas agrícolas para restaurar áreas florestais e diversificar renda, aumentando produtividade e resiliência às mudanças climáticas.
- Desafios incluem regularização ambiental, regularização fundiária e acesso a crédito, dificultando a expansão de produtores de diversos portes.
- A falta de compreensão do sistema financeiro sobre SAFs dificulta a concessão de crédito e o desenho de linhas de financiamento adequadas.
- Tomé-Açu foi citado como exemplo de sucesso em larga escala, com mais de duzentas combinações de SAFs e benefícios de diversificação de renda mesmo em eventos climáticos extremos.
Os especialistas discutiram os desafios para ampliar os SAFs na Amazônia durante a II Semana do Clima da Amazônia, em 2 de julho. O foco foi o crédito, a assistência técnica e as políticas públicas como entraves à expansão do modelo que integra árvores e culturas agrícolas para restaurar a floresta e diversificar a renda.
Os SAFs já mostram aumento de produtividade e mais renda para produtores, além de maior resistência a mudanças climáticas. Contudo, a adoção na região depende de crédito acessível, regularização ambiental e regularização fundiária, entre outros entraves.
Entre os debatedores, Jonas Steinfeld, do CEIA, enfatizou a necessidade de pesquisas mais aplicadas. Ele apontou que dados econômicos e de manejo ainda faltam para orientar produtores, bancos e gestores públicos.
Carolina Domênico, da Natura, observou interesse crescente de produtores, mas destacou que a transformação desse interesse em projetos viáveis depende de enfrentar gargalos estruturais. Regularização e acesso ao crédito aparecem como principais entraves.
Victor Almeida, da Abrapalma, afirmou que o sistema financeiro não está preparado para entender SAFs. Sem um modelo padrão, bancos não conseguem avaliar crédito, dificultando a escala do modelo.
Osvaldo Stella, da Rizoma Agroflorestal, reforçou que o conceito não é tecnologia nova, mas um resgate de práticas tradicionais adaptadas à floresta. Ele pediu readequação do crédito e do mercado para a produção diversificada.
O painel também destacou que políticas públicas são essenciais para acelerar a transição. Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e troca de informações ajudam a adaptar SAFs às realidades de cada território.
O caso de Tomé-Açu foi apresentado como exemplo de implementação em larga escala. Ernesto Suzuki, da CAMTA, ressaltou que a adoção surgiu após a crise da monocultura de pimenta-do-reino, com mais de 200 combinações de SAFs na região.
Suzuki destacou a diversificação como principal vantagem, garantindo renda contínua e menor sensibilidade a eventos climáticos extremos. Mesmo assim, ele citou a falta de investimentos públicos como maior entrave para ampliar o modelo.
Ao final, ficou claro que o conhecimento técnico está consolidado, os casos são promissores e a Amazônia possui potencial reconhecido internacionalmente. O desafio permanece: transformar aprendizados em políticas públicas e financiamento estável.
Parcerias entre pesquisa, mercado e financiamento precisam se fortalecer para ampliar a assistência técnica e o crédito. Com isso, os SAFs devem deixar de ser iniciativas pontuais e ganhar espaço permanente na produção amazônica.
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