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Jogos do Brasil na Copa do Mundo elevam risco de infarto, diz estudo

Jogos do Brasil na Copa elevam risco de infarto; estudo mostra aumento de 16% em dias de jogo, principalmente entre pacientes com doença cardíaca

Torcida brasileira — Foto: Pedro Nunes/Reuters
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  • Estudo da USP e do Hospital das Clínicas aponta que dias de jogos do Brasil na Copa aumentam em 16% as chances de infarto agudo do miocárdio; o risco fica 9% maior mesmo quando a seleção não entra em campo.
  • Um caso emblemático ocorreu em Goiânia: homem de 60 anos morreu após passar mal ao acompanhar o gol da seleção japonesa, em uma padaria, durante a rodada de 16-avos.
  • A pesquisa analisou internações por síndrome coronariana aguda, com idade média de 61 anos e cerca de 60% dos pacientes sendo homens.
  • Apesar do aumento de internações, não houve elevação da mortalidade intra-hospitalar entre os pacientes com infarto durante a Copa.
  • Especialistas destacam que o estímulo emocional pode agir como gatilho em pessoas predispostas; recomenda-se acompanhamento cardíaco regular, moderação no álcool e em comidas gordurosas, manter a medicação e ficar atento a sintomas como taquicardia, falta de ar e dor no peito.

Assistir aos jogos do Brasil na Copa do Mundo pode provocar emoções fortes que, para pessoas com doença cardíaca, elevam o risco de emergências. Um caso emblemático ocorreu em Goiânia, quando um homem de 60 anos faleceu após o gol da seleção japonesa.

A análise foi publicada por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e do Hospital das Clínicas. O estudo aponta alta de 16% nas chances de infarto agudo do miocárdio em dias de jogos da seleção. Mesmo em dias sem jogo, o risco é 9% maior que em dias normais.

Entre os pacientes estudados, a idade média era 61 anos e ao menos 60% eram homens. Não houve aumento na mortalidade intra-hospitalar durante a Copa do Mundo, apenas maior número de internações por infarto.

O coordenador de cardiologia do Hospital Santa Marcelina Saúde ressalta que o estudo é observacional e não avalia fatores como hipertensão ou colesterol alto, que influenciam o risco independentemente do estado emocional.

Metodologia do estudo

A pesquisa foi publicada em 2013 na Arquivos Brasileiros de Cardiologia e analisou mais de 155 mil internações por síndrome coronariana aguda no SUS, ocorridas entre maio e agosto nos anos 1998, 2002, 2006 e 2010. Considerou dias sem jogos, dias de Copa sem Brasil e dias com Brasil em campo.

O estudo comparou incidência de infartos e óbitos entre esses três grupos, com pacientes acima de 35 anos, destacando a população com maior risco de eventos cardíacos.

Por que isso acontece

Especialistas explicam que o infarto decorre de obstrução de uma artéria coronária, que interrompe o suprimento sanguíneo ao músculo cardíaco. Em momentos de emoção intensa, a pressão arterial pode subir e o ritmo cardíaco acelerar, atuando como gatilho em pessoas predispostas.

Mas o gatilho não provoca o entupimento por si só; ele pode deslocar placas de gordura ou favorecer a formação de coágulos, levando a oclusões que causam infarto. Pacientes com doenças cardíacas ou fatores de risco devem manter acompanhamento médico e controlar condutas durante as partidas.

Como evitar durante o jogo

Especialista recomenda acompanhamento cardiológico regular, já que doenças coronarianas e hipertensão costumam ser silenciosas. Durante os jogos, é aconselhável moderar álcool, evitar comidas muito gordurosas e salgadas, e aproveitar pausas para andar e relaxar. Quem toma remédios deve manter a medicação em dia.

Fique atento aos sinais de alerta: taquicardia, palpitações, falta de ar, suor intenso, dor no peito ou em braço, náusea ou desmaio. Em caso de sintomas, procure imediatamente assistência médica, pois tratamento precoce reduz complicações.

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