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Origem do Esperanto: como surgiu a língua planejada

Esperanto, língua criada para universalidade, teve impulso no século XX, mas hoje tem entre 100 mil e 2 milhões de falantes e permanece em nichos

Criado por um médico, esperanto não conseguiu emplacar como língua universal
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  • O esperanto surgiu pela iniciativa do médico polonês Ludwik Lejzer Zamenhof, que publicou o “Unua Libro” em 26 de julho de 1887 para apresentar a língua universal.
  • Sua gramática é regular, com terminações específicas (-o para substantivos, -a para adjetivos, -on para acusativo) e um único artigo definido, la; o vocabulário tem forte influência europeia, especialmente de línguas românicas, e a escrita é conforme a fonética.
  • A recepção foi mista: Tolstói elogiou a ideia; Nicolau II proibiu materiais em esperanto em 1895; Adolf Hitler criticou a língua e a associou a planos de dominação.
  • O movimento ganhou força após a Segunda Guerra Mundial, com atenção acadêmica nas décadas de setenta e entre dois a cinco milhões de pessoas estudando ou falando a língua naquela época.
  • Hoje estima-se entre cem mil e dois milhões de falantes; o Congresso Mundial de Esperanto é o principal encontro da comunidade, com o Brasil sediando-o duas vezes (1981 e 2002). Também há falantes nativos, ainda que em número bastante limitado.

Longe de ser apenas uma curiosidade linguística, o esperanto surgiu com a intenção de eliminar barreiras entre povos. Criado pelo médico polonês Ludwik Lejzer Zamenhof, o projeto visava uma língua politicamente neutra, de fácil aprendizado.

Em 26 de julho de 1887, Zamenhof publicou o Unua Libro, apresentando a nova língua. O vocabulário deriva em grande parte de idiomas europeus, e a escrita é predominantemente fonética, facilitando a leitura.

A gramática foi desenhada para ser regular, com terminações que indicam função na frase. Substantivos terminam em -o, plural em -oj, e acusativo em -on. O artigo definido é apenas la, sem indefinido.

Os adjetivos terminam em -a e concordam com o substantivo. Verbs mantêm forma independente da pessoa ou do número, o que facilita a conjugação. A estrutura busca simplicidade para quem já domina línguas românicas.

Reação inicial e desafios

A recepção foi mista. Tolstói elogiou a ideia, afirmando que, com pouco estudo, já se lê textos em esperanto. Nicolau II proibiu materiais em esperanto em 1895, citando motivos políticos.

Hitler, em Minha Luta, criticou o esperanto e o considerou uma ferramenta de dominação mundial judaica, banindo organizações esperantistas. O movimento ganhou impulso no início do século 20, apesar das controvérsias.

A partir da Segunda Guerra Mundial, o interesse retornou, especialmente no leste europeu e na China, onde governos viam utilidade de uma língua comum. Na década de 1970, passou a ter maior reconhecimento acadêmico.

Situação atual e alcance

Entre dois e cinco milhões de pessoas já estudaram ou falam esperanto, segundo estimativas da época. Convenções, traduções de clássicos e produção original em esperanto acompanharam o amadurecimento do movimento.

Hoje o número de falantes é estimado entre 100 mil e 2 milhões. Países com comunidades ativas incluem Polônia, Alemanha, EUA, Brasil, China e Japão. O Congresso Mundial de Esperanto permanece como o principal encontro.

O esperanto não é considerado língua morta. Existem falantes nativos, ainda que em número pequeno, com influência de outras línguas segundo o perfil dos usuários. O inglês domina hoje como língua global para muitos contextos.

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