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Diferenças entre os sexos podem influenciar a saúde cerebral

Estudos do Weizmann indicam que diferenças sexuais afetam respostas cerebrais à dor e ao estresse, sugerindo cérebro em mosaico e implicações clínicas

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  • Pesquisas do Instituto Weizmann, publicadas em dois mil e vinte e cinco, investigaram como diferenças sexuais afetam a resposta cerebral à dor e ao estresse, começando em Caenorhabditis elegans e validando em ratos.
  • Em vermes com poucos neurônios, fêmeas XX recuam diante de estímulos dolorosos, enquanto machos XY respondem de forma diferente, sugerindo variações na conectividade neural entre os sexos.
  • A hipótese é de que a evolução preservou padrões que tornam machos menos sensíveis a certos estímulos e mais propensos a buscar parceiros, enquanto fêmeas adotam comportamento mais cauteloso para proteger gametas.
  • Em humanos, as diferenças sexuais no sistema nervoso estão associadas a maior probabilidade de depressão, ansiedade e transtornos alimentares em mulheres, e a maior frequência de autismo, TDAH e esquizofrenia em homens.
  • O debate atual sustenta o conceito de mosaico cerebral, que descreve melhor a prática clínica do que uma divisão binária entre cérebro masculino e feminino, reconhecendo a influência de múltiplos fatores além do sexo biológico.

Duas pesquisas conduzidas no Instituto Weizmann, em Israel, e publicadas em 2025 na Nature Communications e na Science Advances, investigam como as diferenças sexuais influenciam a resposta cerebral a dor e ao estresse. A conclusão é que o padrão de conexões entre neurônios pode explicar parte dessas divergências entre corpos XX e XY.

Os estudos começaram com o Caenorhabditis elegans, um nematoide de poucos neurônios. O modelo permitiu observar células individuais em organismos XX (fêmeas) ou XY (machos) e entender como cada grupo reage a estímulos. Cerca de 80% dos genes humanos são equivalentes aos desse organismo simples.

Os resultados sugerem que fatores hormonais e genéticos influenciam a organização neural. A pesquisadora Meital Oren-Suissa afirma que o viés histórico que negligenciou as mulheres na pesquisa clínica precisa ser considerado para corrigir lacunas na compreensão da saúde cerebral. A análise aponta que a evolução pode ter moldado circuitos diferentes para machos e fêmeas.

A evolução pode ter favorecido uma maior aversão à dor entre as fêmeas, enquanto os machos demonstrariam maior propensão a enfrentar estímulos dolorosos, possivelmente para favorecer comportamentos de sobrevivência e reprodução. Em experimentos com proteínas ausentes em machos, pesquisadores observaram maior sensibilidade a estímulos de dor.

Impacto em humanos

As diferenças no sistema nervoso têm implicações clínicas, associando o sexo biológico a riscos variados de transtornos. Mulheres apresentam maior probabilidade de depressão, ansiedade e transtornos alimentares; homens, de autismo, TDAH e esquizofrenia. Contudo, pesquisadores ressaltam que o sexo é apenas um fator entre muitos que moldam a saúde neurológica.

Especialistas destacam o conceito de mosaico cerebral, que descreve a diversidade individual entre as pessoas. Oren-Suissa aponta que nem todos os tecidos do cérebro respondem da mesma forma, e que a plasticidade neural realmente admite variações significativas entre indivíduos.

Para a comunidade científica, a leitura de dados não deve simplificar o tema a uma divisão binária. O estudo ressalta que o cérebro humano é influenciado por múltiplos fatores, incluindo idade, saúde cardiovascular, educação e histórico de estresse, além do sexo biológico.

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