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Ibogaína: por que é ilegal nos EUA

Ibogaína, proibida nos Estados Unidos, pode interromper abstinência e reduzir cravings, mas não tem aprovação médica e enfrenta barreiras de fomento

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  • Ibogaína é um composto psicoativo potente, derivado de um arbusto da África central, usada há décadas para transtornos de uso de substâncias; é ilegal nos Estados Unidos e em grande parte da Europa.
  • Seu benefício mais destacado é interromper a abstinência de opioides e reduzir desejos, muitas vezes após uma única sessão, segundo o psicólogo Joseph Barsuglia.
  • A descoberta ocorreu acidentalmente em 1962, quando Howard Lotsof percebeu que os desejos sumiam; Lotsof patentou o uso terapêutico em 1985, mas não houve ensaio clínico aprovado pela FDA por disputas de financiamento.
  • O funcionamento envolve atuação no sistema de recompensa do cérebro, liberando fator de crescimento natural e modulando vias associadas à dependência; pode reparar circuitos e causar alucinações intensas entre 18 e 36 horas.
  • Nos EUA, a ibogaína é classificada como droga de Schedule I desde 1970, o que dificulta aprovação; há sinalização de mudanças com ordens executivas e ensaios da FDA, além de legislação estadual para financiar pesquisas em estados como Mississippi, Oklahoma e Tennessee.

Ibogaína é um composto psicoativo potente utilizado há décadas no tratamento de transtornos por uso de substâncias. Nos EUA e em boa parte da Europa, sua venda e uso são ilegais. A substância ganhou atenção por potencial eliminar cravings após uma sessão, segundo especialistas.

A origem vem de um arbusto da África Central. A descoberta da redução de abstinência e de desejos ocorreu em 1962, quando um jovem viciado em heroína experimentou o composto. O pesquisador Howard Lotsof defendia mais estudos, mas um ensaio clínico aprovado pela FDA nunca se materializou.

Ibogaína atua no sistema de recompensa do cérebro, modulando vias associadas ao vício e à dopamina. A explicação completa ainda não está clara, mas há indícios de que o tratamento favorece a recuperação de circuitos neurais danificados.

Diferente de medicamentos como metadona ou buprenorfina, a ibogaína não exige dose diária. Pesquisadores relatam que o tratamento pode tornar a rede opióide mais sensível e promover reparação de áreas cerebrais afetadas pelo uso prolongado.

Durante a experiência, o paciente pode vivenciar estados de consciência alterada, com episódios de alucinações. Esse processo costuma durar de 18 a 36 horas e é descrito como intenso, não indicativo de uso recreativo.

Diante da ausência de aprovação, a ibogaína foi classificada como substância de Schedule I nos Estados Unidos desde 1970, o que indica não ter uso médico aceito e alto potencial de abuso. A falta de incentivos financeiros também pesou contra a aprovação.

Mesmo com a proibição, há sinais de mudança. A ordem executiva recente e ensaios clínicos financiados pela FDA estão entre os desdobramentos. Estados como Mississipi, Oklahoma e Tennessee aprovaram regulamentações para financiar estudos com ibogaína.

Empresas e entidades ligadas ao tema apontam que, por ser composto natural e de difícil patenteamento, o retorno financeiro de grandes trials é desincentivado. Contudo, avanços regulatórios e interesse público podem alterar o panorama nos próximos anos.

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