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Nova onda de calor chega à França, incêndios seguem fora de controle

Nova onda de calor reativa incêndios no sul da França, com evacuações de cerca de 10 mil pessoas e cinco feridos, enquanto o debate sobre adaptação climática se intensifica

Maqueiro transporta um paciente no pronto-socorro do Hospital Universitário Pellegrin, em Bordeaux; hospitais franceses se preparam para uma nova onda de calor após o mês de junho mais quente já registrado no país.
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  • França enfrenta nova onda de calor, com alerta laranja em 16 departamentos e máximas de até 40°C, além de previsão de continuidade por dias.
  • Incêndios avançam no sul do país, com foco em Hérault e Pirineus Orientais; cerca de 700 bombeiros atuam e já queimaram cerca de 4.600 hectares.
  • Aproximadamente 10 mil pessoas foram evacuadas na região do maciço de Aspres e em Ille-sur-Têt; cinco feridos, incluindo dois bombeiros.
  • O Tour de France mantém a terceira etapa, entre Granollers e Les Angles, mas sem público no trecho francês devido às emergências e mobilização de serviços.
  • Governo e especialistas sinalizam necessidade de Lei de emergência climática e de reforçar adaptação, em meio a aumento de mortes e impactos na saúde pública.

O calor volta a subir na França após uma onda histórica. Nesta segunda-feira (6), o país registrou alerta laranja em 16 departamentos, com temperaturas de até 40°C. Incêndios no sul continuam fora de controle.

Durante a madrugada, a Météo-France indicou céu encoberto por calor intenso em várias regiões, com 20°C a 27°C no vale do Ródano, litoral mediterrâneo e sudoeste, anunciando picos próximos de 40°C.

Em Bordeaux, o morador Cupson, 40 anos, contou que saiu com o filho às 7h30 para buscar ar fresco. Morar no 11º andar eleva a sensação térmica e o ar-condicionado é caro e pouco viável.

Impactos na saúde e na infraestrutura

A previsão indica intensificação do calor na terça (7) no norte, com mais departamentos em alerta laranja. Hoje, 46 estão sob alerta amarelo. O episódio deve durar vários dias, elevando riscos à população, especialmente a idosos.

Segundo Santé Publique France, as mortes aumentaram 30% na semana de 22 de junho, com maior incidência entre idosos em casa. A pressão sobre unidades de saúde também cresce, ante cenário de férias de verão e menor disponibilidade de leitos.

Além disso, o calor agrava a seca e preocupa o setor agrícola, conforme a FNSEA. O aquecimento, aliado às enchentes da primavera, é visto como situação sem precedentes por produtores franceses.

Incêndios e mobilização

Um incêndio avança pela região de Hérault, no sul, enquanto focos na península ibérica e no norte de Portugal aumentam o risco de deflagração regional. O Tour de France teve trecho visitante autorizado apenas sem público no trecho francês.

Entre os Pirineus Orientais, bombeiros informam que as chamas permanecem fora de controle. Cerca de 700 profissionais trabalham para conter o fogo, que já devastou 4.600 hectares segundo autoridades locais.

Moradores relatam evacuações e cenas de pânico. Em Ille-sur-Têt, Vanessa Alted, 43 anos, foi retirada de ônibus com os três filhos e passou a noite em abrigo, descrevendo fumaça abundante e desorientação geral.

Ao todo, cerca de 10 mil pessoas receberam ordens de evacuação na região do maciço de Aspres e na cidade de Ille-sur-Têt. O incêndio deixou cinco feridos, incluindo dois bombeiros, e atingiu dezenas de construções.

Detidos e ações governamentais

No sul, um homem suspeito de iniciar nove incêndios foi detido pela polícia na região de Hérault. A polícia informou que cerca de 90% dos incêndios são provocados por humanos, com fatores climáticos acelerando a propagação.

Nesta segunda-feira, o governo enfrenta críticas sobre investimentos para adaptação de escolas e hospitais às mudanças climáticas. O governo argumenta que criou o Fundo Verde em 2023 para financiar projetos locais, embora com recursos em queda.

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