- Estudo revisado por pares aponta que a exposição a PM2.5 no primeiro ano de vida está associada a maior dificuldade de inibir impulsos na infância.
- Crianças de quatro a oito anos expostas a maiores níveis de PM2.5 apresentaram maior gordura corporal e BMI.
- A pesquisa acompanhou 434 crianças nascidas entre 2007 e 2008 na Cidade do México, avaliando exposição durante a gestação e o primeiro ano de vida.
- Limitações incluem o tamanho da amostra e covariáveis limitadas, reforçando a necessidade de políticas públicas para reduzir a exposição.
- Medidas de proteção incluem filtros HEPA em casa, evitar áreas de alta congestão e atenção à fumaça de incêndios; mudanças políticas são também necessárias.
A exposição ao material particulado fino PM2.5, comum na poluição atmosférica, pode favorecer obesidade infantil ao afetar o autocontrole. A descoberta é de uma pesquisa revisada por pares e inédita em seu foco.
Os pesquisadores da Mt Sinai analisaram crianças de uma coorte de nascimento em 2007-2008, na Cidade do México. O estudo avaliou PM2.5 durante a gestação e o primeiro ano de vida e acompanhou a impulsividade e obesidade entre quatro e oito anos.
O grupo com maior exposição apresentou maior impulsividade, associada a deficiências de controle de inibição. A relação sugere que comportamentos alimentares desregulados podem ser programados precocemente.
Metodologia e principais achados
O estudo utilizou dados de 434 crianças da coorte. Foram modelados níveis de PM2.5 no ambiente durante gravidez e no primeiro ano de vida, considerado momento sensível para o desenvolvimento cerebral.
Autores destacam que alterações no controle inibitório podem contribuir para ganho de peso e gordura corporal na infância, apontando uma via entre poluição e obesidade ainda pouco explorada.
Bob Wright, epidemiologista ambiental da Mt Sinai, afirma que a obesidade tem relação com consumo alimentar regulado pelo autocontrôle. A pesquisa sugere que poluentes podem atuar nos mesmos processos biológicos.
Limitações e perspectivas
Os autores reconhecem limitações, como o tamanho da amostra e covariáveis limitadas. Pesquisas adicionais são necessárias para confirmar a relação e esclarecer mecanismos.
Cecilia Moura, cientista de transporte limpo, comenta que há indícios suficientes para apoiar políticas de redução de PM2.5. A pesquisa incentiva ações públicas para mitigar a exposição.
Implicações práticas
Medidas de proteção em casa podem reduzir a exposição. Filtros HEPA ajudam a remover PM2.5, e filtros MERV 13 ou superiores capturam boa parte do material particulado.
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