- Construtoras de pequeno e médio porte ganham espaço após o atropelo da Lava Jato e na crise econômica, com renovação de sessenta e cinco por cento na lista das vinte maiores entre 2013 e 2021.
- A U&M atingiu o terceiro lugar em dois mil e vinte e dois, com faturamento de R$ 1,3 bilhão em dois mil e vinte e um e cerca de três mil funcionários.
- A empresa espanhola Acciona figura em quarto lugar, com três mil oitocentos e noventa funcionários e faturamento de R$ 1,3 bilhão em dois mil e vinte e um, alta de seiscentos e cinquenta e sete por cento ante dois mil e vinte.
- A Odebrecht continua líder, mas sob o nome OEC, com receita anual de R$ 3 bilhões, queda de setenta por cento em relação a dois mil e treze.
- O governo reduziu investimentos em infraestrutura; concessões e parcerias público-privadas ganham espaço para substituir obras diretas, com fundos de investimento liderando projetos de infraestrutura.
Negócios da construção brasileira passam por uma reconfiguração após a Lava Jato e a recessão. Construtoras de pequeno e médio porte vêm ocupando espaço deixado pelas líderes do setor entre 2015 e 2016, quando houve forte queda na atividade.
Segundo o levantamento do Poder360, houve renovação de 65% na lista das 20 maiores empresas de construção desde o início da operação anticorruição até 2021. Apenas 7 das atuais líderes estavam no topo em 2013, período anterior ao avanço de grandes operações investigativas.
A U&M, especializada em mineração e construção pesada, alcançou o 3º lugar em 2022 na avaliação da revista O Empreiteiro, com faturamento de 1,3 bilhão de reais em 2021 e cerca de 3 mil funcionários. Antes de 2017, a empresa não integrava o top 20.
A construtora espanhola Acciona figura entre as que mais ganharam espaço, ocupando a 4ª colocação, com 3,9 mil funcionários e faturamento de 1,3 bilhão de reais em 2021. O desempenho representou alta de 657% frente a 2020.
O diagnóstico do Poder360 aponta pulverização no setor: pequenas empresas avançaram para o porte médio, enquanto as de porte intermediário não cresceram de forma relevante e várias fecharam as portas. Construtoras atingidas por desinvestimentos também reduziram receita, chegando a encolhimentos de até 90%.
Antes da crise, as cinco maiores tinham receita acima de 4 bilhões por ano. Hoje, não há companhia com esse patamar, ainda que algumas mantenham volume acima de 1 bilhão. A Odebrecht, renomeada como OEC, lidera, mas com receita estimada em 3 bilhões, 70% menor que em 2013.
Outras grandes, como Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa Infra, não aparecem no ranking de 2022 por falta de dados, ainda que balanços mostrem faturamento acima de 1 bilhão. Se esse patamar se mantiver, a renovação fica em 55%.
Mudança na participação do Estado
A participação estatal na economia mudou nos últimos anos. O governo federal reduziu investimentos em infraestrutura devido a restrições fiscais e à LDO, limitando o crescimento das despesas. Ministérios de Infraestrutura e Desenvolvimento Regional reduziram contratos de grandes obras.
Entre 2013 e 2022, o investimento público caiu. Em comparação, as administrações federais passaram a apostar mais em concessões e parcerias público-privadas para rodovias, aeroportos e saneamento, compensando a queda de recursos estaduais e municipais.
Novos modelos de contratação
Antes, órgãos governamentais contratavam diretamente empreiteiras para obras, buscando maior lucro imediato. Hoje, em concessões, vencedora presta serviço por décadas, com retorno ao longo do tempo.
Concessões de rodovias e serviços envolvendo infraestrutura demandam planejamento de longo prazo, com retorno inicial após o primeiro ciclo de investimento. Grandes desafios de financiamento contribuíram para que empresas privadas busquem participação nessas PPPs.
Diante do cenário, muitos contratos passaram a exigir que o vencedor forneça serviços contínuos ao longo de décadas, em vez de uma única obra. Bancos e investidores passaram a considerar condições de crédito mais rigorosas, impactando o acesso de grandes construtoras ao financiamento.
A reportagem integra a série Brasil à frente, produzida pelo Poder360, para mapear os desafios de infraestrutura no Brasil na terceira década do século 21. As informações são apresentadas com base em dados de ranking e balanços do setor. Credita-se às fontes sem uso de links diretos.
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