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Bets movimentam R$100 bi no Brasil, reduzem consumo e preocupam o varejo

Bets movimentaram entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões no Brasil, com entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões deixados de ser gastos em bens e serviços

Foto: Alphaspirit/Adobe Stock
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  • Em 2023, mais de 300 empresas de bets movimentaram entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões no Brasil, quase 1% do PIB.
  • Do total movimentado, entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões deixaram de ser gastos com bens e serviços ou foram aplicados de outra forma.
  • A falta de regulamentação no prazo previsto atrasou o setor: o governo pretendia regulamentar em até dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois.
  • O Brasil já é o terceiro maior mercado de apostas online no mundo, com expectativa de faturamento de R$ 130 bilhões no próximo ano.
  • Pesquisas indicam gastos mensais com apostas entre R$ 100 e R$ 500, com parte dos consumidores afirmando ter sido impactada na renda e em itens de consumo, sobretudo lazer e vestuário.

As apostas online no Brasil, conhecidas como bets, movimentaram entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em 2023, segundo a Strategy& Brasil. O montante equivale a quase 1% do PIB, e supera o faturamento de empresas como Santander, Assaí e Magazine Luiza.

O Instituto Jogo Legal, que representa o setor, atribui o crescimento à falta de regulamentação no prazo previsto. A proposta do governo de Michel Temer previa regulamentação em dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois; hoje, o setor aguarda regras definidas.

Do total movimentado em 2023, entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões deixaram de ser gastos com bens e serviços, aponta Mauro Toledo, da Strategy& Brasil. Em alguns casos, houve endividamento de jogadores.

Em agosto deste ano, pesquisa da Hibou, com 2.839 pessoas, mostrou gasto mensal com apostas entre R$ 100 e R$ 500, e anual entre R$ 1,2 mil e R$ 5 mil. O estudo aponta alta dispêndios relativos a jogos online, como o Fortune Tiger, em que 78% não sabem quanto gastaram.

Persistência do impacto no orçamento

Segundo Mauro Toledo, as apostas passaram a representar 0,7% da renda familiar em 2023, ante 0,2% em 2018. A participação cresce entre lazer e cultura, chegando a 38% do gasto nesse segmento, e a 4,4% dos gastos com alimentação.

A projeção para 2024 é de que o faturamento com jogos online alcance R$ 130 bilhões no Brasil, segundo a Strategy& Brasil. As estimativas combinam dados de remessas ao exterior, número de apostadores, valor médio, frequência e investimentos em marketing.

efeitos no varejo e comportamento do consumo

O Brasil já é o terceiro maior mercado de apostas online e, segundo a PwC, o impacto no orçamento familiar é mais expressivo em esportes, lazer e cultura, seguido de itens discricionários como vestuário. A alimentação aparece como o terceiro item com substituição de marcas.

Estudos da SBVC e AGP, com 1.337 brasileiros, indicam que 38% apostam online e 51% jogam semanalmente. Entre os apostadores, 63% tiveram renda principal afetada pelo gasto com bets, em algum momento.

Reações e perspectivas

Varejistas relatam queda de vendas em itens como acessórios, vestuário e itens de supermercado, atribuída em parte ao crescimento das apostas. A ausência de regulamentação reforça a percepção de incerteza econômica para o comércio.

Empresas visitadas pela reportagem não constataram pronunciamentos oficiais até o momento. A ausência de regras claras segue sendo apontada como entrave para planejamento do setor.

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