Os preços da carne bovina no Brasil começam a apresentar sinais de queda em 2024, após um período de alta que contribuiu para a inflação. Essa tendência, que deve se estender pelo primeiro semestre, é impulsionada por ganhos de produtividade e o abate de fêmeas. A arroba do boi, que ultrapassou os R$ 350 em […]
Os preços da carne bovina no Brasil começam a apresentar sinais de queda em 2024, após um período de alta que contribuiu para a inflação. Essa tendência, que deve se estender pelo primeiro semestre, é impulsionada por ganhos de produtividade e o abate de fêmeas. A arroba do boi, que ultrapassou os R$ 350 em novembro de 2023, agora está em R$ 320, com cortes como a picanha apresentando uma redução de 8,28% em um mês, segundo a Scot Consultoria.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) projeta um aumento de até 10% nas vendas externas de carne bovina em 2025, com expectativa de alcançar 3,3 milhões de toneladas. O Brasil está em negociações para abrir novos mercados, incluindo Vietnã, Japão, Turquia e Coreia do Sul. Apesar do aumento nas exportações, a Abiec garante que a oferta de carne no mercado interno não será afetada, já que a safra recorde de grãos deve melhorar o confinamento e a terminação dos bovinos.
Especialistas como Roberto Perosa, presidente da Abiec, afirmam que a exportação ajuda a equilibrar os preços internos, já que muitos produtos exportados não são consumidos localmente. A maioria dos cortes destinados à exportação, como miúdos, não compete com os cortes mais valorizados no Brasil. O head de Agro da XP, Leonardo Alencar, destaca que o aumento do descarte de fêmeas sem prenhez deve manter os preços controlados, embora haja incertezas sobre a produção e abate ao longo do ano.
Por outro lado, Maurício Palma Nogueira, da consultoria Athenagro, acredita que a oferta de animais para abate não será restrita e que o rebanho está se tornando mais jovem e produtivo. Ele observa que a entrada da carne brasileira no mercado chinês pode gerar mudanças significativas. Apesar de prever oscilações nos preços, Nogueira acredita que a resposta da produção será mais rápida em comparação a ciclos anteriores. A expectativa é de que as exportações cresçam entre 2% e 5% em 2025, com potencial para aumento se novos mercados forem abertos.
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