O cenário de juros mais baixos e o consumo aquecido resultaram em um aumento de 7,3% nos investimentos em 2024, conforme dados do IBGE, marcando o maior crescimento em três anos. Contudo, a alta de apenas 0,4% no quarto trimestre sinaliza uma possível desaceleração, reflexo do aperto monetário e de um ambiente econômico global e […]
O cenário de juros mais baixos e o consumo aquecido resultaram em um aumento de 7,3% nos investimentos em 2024, conforme dados do IBGE, marcando o maior crescimento em três anos. Contudo, a alta de apenas 0,4% no quarto trimestre sinaliza uma possível desaceleração, reflexo do aperto monetário e de um ambiente econômico global e doméstico incerto. Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, observa que juros altos dificultam o financiamento e aumentam as incertezas sobre os retornos dos investimentos, especialmente os de curto prazo.
Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, descreve a combinação de juros altos e um cenário econômico instável como “uma combinação mortal para investimento”. A taxa de investimento subiu de 16,4% do PIB em 2023 para 17% em 2024, mas ainda está abaixo do recorde de 20,7% alcançado em 2012. Claudio Frischtak, CEO da Inter.B Consultoria, destaca que o nível atual de investimento é insuficiente para atender à demanda de ampliação da capacidade produtiva do país, embora muitos projetos já estejam contratados.
As importações aumentaram 14,7% no ano passado, impulsionadas pela compra de máquinas. A fabricante de sorvete Sol & Neve está investindo R$ 20 milhões em uma nova fábrica em Leopoldina (MG) para atender à crescente demanda. Luciano Larcher, diretor da empresa, afirma que a redução das margens é uma estratégia para absorver custos e manter os investimentos. Silvia Matos, pesquisadora do FGV Ibre, projeta um crescimento de 4% nos investimentos em 2024, embora esse número possa ser revisado devido à incerteza econômica.
Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, acredita que a compra de novas máquinas pode impulsionar os investimentos em 2025, especialmente com a política federal de depreciação acelerada. No entanto, ele alerta que a falta de coordenação entre as políticas monetária e fiscal pode dificultar a recuperação do custo do crédito. A incerteza sobre a demanda e a alta dos juros criam um cenário desafiador para os empresários, que hesitam em investir sem um horizonte claro.
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