A insatisfação com empregos formais, especialmente entre jovens e pessoas de classes mais baixas, tem aumentado no Brasil. Influenciadores digitais estão promovendo uma visão negativa da CLT, fazendo com que muitos jovens achem que ter um emprego com carteira assinada é um sinal de fracasso. Isso leva alguns a abandonar a escola em busca de sucesso nas redes sociais. A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado explica que essa aversão ao trabalho formal é histórica e se deve a condições de trabalho ruins e à cultura de exploração. Muitos jovens, como Erick Chaves, conhecido como Kinho, preferem trabalhar na internet, onde podem ganhar mais e ter mais liberdade. No entanto, a realidade é que poucos conseguem ter sucesso nesse meio. Um estudo mostrou que a maioria dos jovens que tentam crescer nas redes sociais não alcança um número significativo de seguidores. Além disso, muitos que trabalham por conta própria gostariam de ter um emprego formal, pois a realidade do empreendedorismo é cheia de desafios e incertezas. A CLT foi criada para proteger os direitos dos trabalhadores, e especialistas alertam que atacar essa legislação pode piorar a situação. A luta deve ser pela melhoria da CLT, não contra ela, para garantir que o trabalho continue sendo valorizado.
A insatisfação com o trabalho formal, especialmente entre os jovens, tem crescido no Brasil. Influenciadores digitais estão promovendo uma campanha contra a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), levando muitos a verem empregos formais como sinônimo de fracasso. A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado destaca que essa aversão não é nova, sendo um reflexo de condições de trabalho precárias e da cultura histórica de exploração.
Pesquisadores da University College Dublin (UCD) revelaram que apenas 1,4% das 40 mil contas monitoradas no Instagram conseguiram mais de 5 mil seguidores. Essa realidade tem levado jovens a abandonarem a escola em busca de sucesso no ambiente digital. Fabiana Sobrinho, de Mogi das Cruzes, relata que sua filha de 12 anos vê a CLT de forma negativa, associando-a a um futuro de dificuldades. “Ela dizia: ‘Vou estudar para não virar um CLT'”, conta Fabiana.
O impacto da cultura digital
O jovem Erick Chaves, conhecido como “Kinho” no TikTok, afirma que tem pavor de ser CLT, citando a rotina cansativa de seus pais como um fator que o afastou do emprego formal. Ele começou a ganhar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil mensais com seu conteúdo digital. Bruna Neres, de 26 anos, trocou a CLT pela flexibilidade do empreendedorismo, afirmando que a CLT limita o salário em algumas áreas.
A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado ressalta que a insatisfação com o trabalho formal é histórica e que muitos preferem se virar a aceitar empregos ruins. A pressão por autonomia e liberdade tem levado jovens a ver o trabalho formal como uma opção indesejada. No entanto, especialistas alertam que atacar a CLT não é a solução para os problemas do mercado de trabalho.
Riscos e realidades
A busca por sucesso no digital pode levar a riscos, como o abandono da educação. Alejandro Ferreira, de 17 anos, que deixou a escola para empreender, reconhece que o digital deve andar lado a lado com o tradicional. Ele e um colega faturam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil mensais com sua empresa de marketing digital.
Estudos mostram que a realidade de muitos influenciadores é distante da maioria. A promessa de sucesso fácil pode gerar frustração e baixa autoestima, especialmente entre populações vulneráveis. A designer Fernanda Smaniotto Netto observa que muitos colegas autônomos consideram voltar para a CLT, percebendo que empreender é um caminho repleto de desafios.
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) revelou que 67,7% dos trabalhadores autônomos desejam ter carteira assinada, e 45% atuam por necessidade. O historiador Paulo Fontes alerta que a flexibilização da CLT pode retirar direitos dos trabalhadores, criando um ambiente de trabalho mais precário. A luta deve ser pela melhoria da CLT, enfatiza Rosana Pinheiro-Machado.
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