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Moody’s altera perspectiva do Brasil de positiva para estável, mantendo rating em Ba1

Moody's reavalia perspectiva do Brasil, passando de positiva para estável, refletindo riscos crescentes na capacidade de pagamento da dívida.

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A agência de classificação de risco Moody’s mudou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de positiva para estável, mantendo a nota em Ba1, que é um nível abaixo do grau de investimento. Essa mudança foi motivada pela piora na capacidade do país de pagar suas dívidas e pelo avanço lento nas reformas fiscais. Apesar do crescimento do PIB, a Moody’s destacou que a estrutura de gastos do governo é rígida e que os custos de financiamento estão aumentando, o que limita a capacidade do governo de lidar com crises. A agência também alertou que, se não houver reformas mais profundas, a situação fiscal pode se deteriorar ainda mais. A expectativa é que a dívida pública do Brasil chegue a 88% do PIB nos próximos anos, acima da previsão anterior de 82%. A Moody’s acredita que, para melhorar a nota, o Brasil precisa implementar reformas que reduzam as vinculações orçamentárias e a indexação de benefícios sociais ao salário mínimo.

A agência de classificação de risco Moody’s manteve a nota de crédito soberano do Brasil em Ba1, mas alterou a perspectiva de positiva para estável. A mudança, divulgada na sexta-feira (30), reflete uma deterioração na capacidade de pagamento da dívida e um progresso lento nas reformas fiscais.

A Moody’s destacou que a capacidade do governo de reduzir vulnerabilidades fiscais e estabilizar a dívida no curto prazo é limitada pela rigidez dos gastos e pelo aumento dos custos de financiamento. A agência também observou que, apesar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 3% nos últimos três anos, o aumento das taxas de juros impacta negativamente a estrutura da dívida.

A expectativa agora é que a dívida pública se estabilize em 88% do PIB nos próximos cinco anos, acima da projeção anterior de 82%. A relação entre pagamento de juros e receita deve alcançar cerca de 21% em 2025, comparado a 15% em 2023. A Moody’s ressaltou que, embora o governo tenha introduzido medidas para aumentar receitas, reformas mais profundas são necessárias para aliviar a rigidez orçamentária.

Reações do Mercado

Analistas do mercado interpretaram a mudança como uma correção de um otimismo excessivo anterior. Carlos Kawall, sócio-fundador da Oriz Partners, afirmou que a Moody’s reconheceu um erro ao elevar a nota em outubro de 2024, sugerindo a iminência do grau de investimento. Para ele, a perspectiva deveria ser negativa, mas a correção foi feita em etapas.

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, também criticou a decisão anterior da Moody’s, afirmando que a agência deu um voto de confiança excessivo ao governo em um momento de estresse fiscal. A mudança de perspectiva, segundo ele, reflete a realidade fiscal do país.

Desafios Futuros

A Moody’s alertou que uma reversão dos esforços de consolidação fiscal ou uma desaceleração acentuada da atividade econômica pode resultar em nova deterioração da nota. A construção de um consenso em torno das reformas necessárias exigirá o envolvimento do governo, do Congresso e da sociedade, o que pode demandar tempo.

A agência enfatizou que, apesar da continuidade das reformas e do potencial de crescimento, os riscos de crédito são agora considerados mais equilibrados para o nível da nota Ba1. A manutenção do rating em Ba1 deixa o Brasil a apenas um degrau do grau de investimento, mas a perspectiva estável limita a possibilidade de uma elevação imediata.

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