Na Argentina, a compra e venda de imóveis ainda é feita principalmente em dinheiro, especialmente em dólares, devido à desconfiança na moeda local. O governo de Javier Milei lançou um programa para incentivar a declaração de dólares guardados, aumentando o limite de uso sem comprovação de origem para 200 mil dólares, o que pode ajudar o mercado imobiliário. Apesar do aumento nos financiamentos bancários, a maioria das transações continua a ser feita de forma tradicional. Muitos argentinos guardam seus dólares em casa, e os anúncios de venda costumam ser em dólares, enquanto os de locação são em pesos. Recentemente, o número de novas escrituras de compra e venda de imóveis em Buenos Aires cresceu 50,5% em abril de 2024, e o valor das transações aumentou 160,4%. Especialistas acreditam que a comparação de preços com a última década e o fim da lei de aluguéis são fatores mais importantes para esse crescimento do que a lavagem de dinheiro. Embora o financiamento imobiliário esteja crescendo, o acesso ao crédito ainda é difícil para a classe média. Em março, 21% das vendas de imóveis foram feitas com financiamento, um aumento em relação a 3% no ano anterior. Com a inflação mais controlada, a Argentina se tornou cara em dólares, e muitos estão optando por financiar imóveis ao invés de alugar, mas a venda em dinheiro ainda é a norma.
A compra e venda de imóveis na Argentina continua a ser dominada por transações em dinheiro vivo, especialmente em dólares, devido à desconfiança na moeda local e ao trauma do confisco de 2001. Recentemente, o governo de Javier Milei implementou um programa que visa incentivar a declaração de dólares guardados, aumentando o limite de uso sem comprovação de origem para US$ 200 mil. Essa medida busca aquecer o mercado imobiliário.
Apesar do crescimento no número de financiamentos bancários, a maioria das transações imobiliárias ainda ocorre de forma tradicional. Os argentinos, traumatizados pela desvalorização do peso, preferem guardar seus dólares em casa, em locais inusitados. Nas imobiliárias de Buenos Aires, é comum que os anúncios de venda sejam em dólares, enquanto os de locação são em pesos. O uso de dólares em operações de maior valor é uma prática comum, refletindo a falta de confiança no sistema bancário.
Medidas do Governo
As novas medidas do governo, transformadas em lei no dia 5 de outubro, visam trazer dólares não declarados para o sistema financeiro. O número de novas escrituras de compra e venda de imóveis na capital argentina cresceu 50,5% em abril de 2024, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 5.471 registros. O valor das transações também aumentou 160,4%. Especialistas atribuem esse crescimento ao fim das restrições para a compra de dólares e à possibilidade de “lavagem” de dinheiro não declarado.
Germán Gomez Picasso, arquiteto e fundador da publicação “Reporte Inmobiliario”, acredita que a lavagem de dinheiro será um fator relevante, mas não o principal impulsionador do mercado. Ele destaca que a comparação de preços com a última década e o fim da lei de aluguéis, que restringia contratos, são fatores mais decisivos. O vice-presidente da Câmara Argentina de Propriedades Horizontais, Armando Caputo, também ressalta que a nova legislação liberou a negociação entre as partes.
Financiamentos e Acessibilidade
Embora as propriedades ainda sejam vendidas em dólares e em dinheiro vivo, o financiamento imobiliário está em ascensão. Atualmente, é possível financiar até 80% do valor do imóvel, mas o acesso ao crédito permanece desafiador para a classe média. Em março, 21% das vendas de imóveis na capital foram realizadas com financiamento, um aumento significativo em relação a apenas 3% no ano anterior.
Com a inflação mais controlada, a Argentina se torna cara em dólares, tanto para locais quanto para turistas. As operações de financiamento estão voltando, e muitos argentinos estão optando por trocar o aluguel por um crédito imobiliário, caso consigam se qualificar. A expectativa é que o mercado continue a se aquecer, embora a venda de imóveis em dinheiro ainda predomine.
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