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Aluguel de luxo se torna tendência entre cariocas em busca de sofisticação

Déficit habitacional no Rio de Janeiro atinge 544.275 domicílios, enquanto aluguel se torna cada vez mais inacessível para a população.

A praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
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  • O Rio de Janeiro enfrenta um aumento nos preços de aluguel, resultando em um déficit habitacional de 544.275 domicílios em 2024.
  • Cinquenta e oito por cento das famílias gastam mais de 30% da renda com aluguel.
  • O crescimento de imóveis no Airbnb contribui para a crise, com mais de 28 mil propriedades disponíveis em 2023.
  • Na Zona Sul, a oferta de imóveis para locação tradicional caiu 27% em dois anos, e o valor médio do aluguel subiu de R$ 40,16 por metro quadrado em 2023 para R$ 45,79 por metro quadrado em 2024.
  • A regulação do Airbnb é considerada urgente, com propostas para limitar o número de imóveis disponíveis e garantir a função social da propriedade.

Nos últimos anos, morar de aluguel no Rio de Janeiro tornou-se um desafio crescente. O aumento dos preços forçou muitos a se mudarem para áreas periféricas. Em 2024, o estado registrou um déficit habitacional de 544.275 domicílios, o maior desde 2016, com 58% das famílias comprometendo mais de 30% da renda com aluguel.

A situação é agravada pela explosão de imóveis no Airbnb. Em 2023, mais de 28 mil propriedades estavam disponíveis na plataforma, com uma diária média de R$ 306 e taxa de ocupação de 57%. Isso gera uma renda anual superior a R$ 60 mil por imóvel, enquanto o aluguel tradicional de um imóvel de 70 m² rende cerca de R$ 42 mil por ano. Como resultado, muitos proprietários optam por alugar por temporada, reduzindo a oferta de moradias permanentes.

Impacto no Mercado Imobiliário

Na Zona Sul, a oferta de imóveis para locação tradicional caiu 27% em dois anos. O valor médio do aluguel aumentou de R$ 40,16/m² em 2023 para R$ 45,79/m² em 2024, uma alta de quase 20% em um ano. Essa dinâmica de mercado resulta em menos oferta e aluguéis mais altos, forçando um deslocamento populacional para regiões já precarizadas, como as zonas Norte e Oeste.

Enquanto isso, o mercado imobiliário prospera. O que é apresentado como “desenvolvimento” resulta em exclusão e precarização. O poder público permanece inerte, permitindo que o mercado defina as regras. Cidades como Lisboa e Nova York já regulam plataformas como o Airbnb, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta especulação imobiliária e gentrificação.

Necessidade de Regulação

A regulação do Airbnb é uma medida urgente, mas não suficiente. É necessário limitar o número de imóveis por CPF/CNPJ nas plataformas e proibir a locação turística de imóveis inteiros em áreas com déficit habitacional. Medidas como IPTU progressivo sobre imóveis vazios e garantir a função social da propriedade são essenciais.

Enquanto o Rio de Janeiro continuar a ser um terreno fértil para especuladores, a população será empurrada para longe de suas casas. A cidade deve ser um espaço para quem vive nela, não apenas para quem lucra com ela.

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