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Imposto sobre remessas nos EUA afeta economia da América Latina e suas comunidades

Imposto sobre remessas dos Estados Unidos gera preocupações em países da América Central, que dependem de transferências financeiras.

Posto de recebimento de remessas de dinheiro na Guatemala (Foto: Getty Images)
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  • Os Estados Unidos aprovaram um imposto de 1% sobre remessas em espécie, que começará a valer em janeiro de 2026.
  • A medida afetará as transferências financeiras para países da América Central, como El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.
  • As remessas representam cerca de 25% do PIB desses países, com 8 em cada 10 migrantes latino-americanos enviando dinheiro para suas famílias.
  • Especialistas afirmam que, embora o imposto não represente um risco macroeconômico significativo, reduzirá o valor das remessas, com perdas estimadas de US$ 415 milhões para Guatemala e quase US$ 200 milhões para El Salvador anualmente.
  • Migrantes estão buscando alternativas, como transferências eletrônicas, para evitar a cobrança do imposto.

Os Estados Unidos aprovaram um imposto de 1% sobre remessas em espécie, que entrará em vigor em janeiro de 2026. Essa medida impactará as transferências financeiras para países da América Central, como El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, que dependem fortemente do dinheiro enviado por migrantes.

As remessas representam cerca de 25% do PIB desses países, com 8 em cada 10 migrantes latino-americanos enviando dinheiro para suas famílias. Em 2024, as remessas para a América Latina totalizaram aproximadamente US$ 160 bilhões. O novo imposto, embora reduzido de 5% para 1% durante as negociações, ainda exigirá que os migrantes trabalhem mais para compensar essa taxa.

Especialistas, como Mario Campa, da Universidade de Colúmbia, afirmam que o imposto não representa um risco macroeconômico significativo para esses países, mas reduzirá o valor das remessas. O impacto financeiro será sentido, com a Guatemala perdendo cerca de US$ 415 milhões e El Salvador quase US$ 200 milhões anualmente.

Alternativas para Evitar o Imposto

Desde a proposta do imposto, migrantes têm buscado alternativas para evitar a cobrança. Muitos agora utilizam transferências eletrônicas e aplicativos, que não estão sujeitos ao imposto. Ricardo Barrientos, do Instituto Centro-Americano de Estudos Fiscais, sugere que aqueles sem acesso ao sistema financeiro podem pedir ajuda a amigos ou familiares para realizar as transferências.

A análise do Centro para o Desenvolvimento Global indica que, apesar da possibilidade de evasão do imposto, pode haver uma redução no envio de remessas de até 1,6%. O uso crescente de plataformas eletrônicas pode ajudar a mitigar o impacto do imposto, mas a incerteza sobre a aplicação da lei pode gerar receios entre os trabalhadores.

Contexto Político

O imposto foi parte de uma iniciativa mais ampla do governo americano, que busca aumentar a arrecadação para o Departamento de Segurança Nacional. Embora a expectativa inicial fosse arrecadar US$ 26 bilhões em dez anos, a redução da taxa para 1% diminui significativamente essa projeção. Especialistas alertam que a política anti-imigração pode ter um efeito mais profundo sobre as remessas do que o imposto em si, afetando a disposição dos migrantes de enviar dinheiro para suas famílias.

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