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Tarifa de 50% de Trump prejudica negociações sobre exportações de aço brasileiro

Tarifas de 50% sobre o aço brasileiro podem travar negociações comerciais e impactar exportações, alertam especialistas do setor.

Processo de produção de placa de aço, produto semi-acabado para exportação fabricado no Brasil por ArcelorMittal, Ternium Brasil (Foto: asso Marcelo/Estadão)
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  • O setor siderúrgico brasileiro enfrenta novas tarifas de 50% sobre o aço, anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 9 de agosto.
  • Essa medida se junta às tarifas anteriores de 25% e 50%, complicando as negociações comerciais entre Brasil e EUA, que começaram em 2018.
  • O executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, afirmou que a relação comercial é historicamente favorável aos EUA, com um superávit de US$ 1,7 bilhão para os americanos no primeiro semestre de 2024.
  • As tarifas impactam as exportações de aço semi-acabado e produtos laminados, com uma queda de 50% nas exportações de produtos laminados no segundo trimestre de 2024.
  • Lopes alertou que a nova tarifa pode interromper as negociações que já contavam com 14 reuniões entre representantes brasileiros e americanos.

O setor siderúrgico brasileiro enfrenta um novo desafio após o anúncio de tarifas de 50% sobre o aço brasileiro, feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 9 de agosto. Essa medida, que se soma às tarifas já existentes de 25% e 50%, gera incertezas nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que já estavam em andamento desde 2018.

As empresas brasileiras de aço, que já enfrentavam dificuldades devido à tarifa anterior, agora temem que essa nova imposição prejudique ainda mais as exportações. O executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, destacou que a relação comercial entre os dois países é historicamente favorável aos EUA, com um superávit de US$ 1,7 bilhão para os americanos no primeiro semestre de 2024. Lopes enfatizou que a indústria americana depende das importações de produtos semi-acabados do Brasil, pois não é autossuficiente na produção de placas.

Impactos nas Exportações

As tarifas afetam diretamente as exportações de aço semi-acabado e produtos laminados. Em março, o Brasil já havia sido impactado com uma tarifa de 25%, que foi elevada para 50% em junho. Apesar disso, as exportações de placas mantiveram um ritmo de crescimento, indicando que importadores americanos estão dispostos a pagar mais para garantir a matéria-prima. No entanto, os produtos laminados sofreram uma queda de 50% no segundo trimestre de 2024.

Lopes alertou que a nova tarifa pode travar as negociações que estavam sendo conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores, que já havia realizado 14 reuniões com representantes americanos. A expectativa era de um acordo que poderia beneficiar ambos os lados, mas a situação agora se torna imprevisível.

Consequências para o Setor

As siderúrgicas brasileiras, como ArcelorMittal e Ternium Brasil, que exportam produtos semi-acabados, e CSN e Usiminas, que atuam com produtos laminados, estão em alerta. A incerteza nas relações comerciais pode comprometer o futuro das exportações e afetar a balança comercial entre os dois países. Lopes reiterou que a continuidade das negociações é crucial, pois a deterioração das relações políticas não é benéfica para nenhum dos lados.

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