- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que entrará em vigor em 1º de agosto.
- Essa medida pode impactar os investimentos estrangeiros diretos no Brasil, embora a economia brasileira não deva sofrer grandes danos imediatos.
- O Brasil é o país mais afetado por essa tarifa, que é a maior já anunciada.
- Economistas estimam que a tarifa pode reduzir o crescimento do Brasil em até 0,4 ponto porcentual.
- O Banco Central do Brasil prevê uma entrada líquida de US$ 70 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2025, com os Estados Unidos representando cerca de um quarto desse total.
NOVA YORK — O comércio global enfrenta um aumento do protecionismo, intensificado pela recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Essa medida pode afetar os investimentos estrangeiros diretos no Brasil, embora a economia brasileira não deva sofrer grandes danos imediatos.
O Brasil, que já enfrenta um cenário de restrições comerciais, é o país mais impactado por essa nova tarifa, a maior já anunciada. Apesar de os EUA serem o segundo maior parceiro comercial do Brasil, sua participação na balança comercial é inferior a 2% do PIB nacional, o que, segundo economistas, deve limitar os danos econômicos. O Goldman Sachs prevê que a tarifa pode reduzir o crescimento do Brasil em até 0,4 ponto porcentual.
Impactos no Investimento Estrangeiro
O Banco Internacional de Compensações (BIS) alerta que o aumento do protecionismo pode resultar em uma diminuição do fluxo de investimentos estrangeiros diretos para países emergentes. Desde 2009, as restrições comerciais impostas por economias avançadas aumentaram em média 8% ao ano, afetando uma parcela crescente de produtos.
O economista-chefe do UBS BB, Alexandre de Ázara, destaca que a principal preocupação é a classificação do Brasil como um país “não-amigável” pelos EUA, o que poderia afetar negativamente os investimentos diretos. Apesar disso, ele não prevê um colapso no volume de investimentos, que já registrou um ingresso líquido de mais de US$ 30 bilhões até maio de 2024.
Perspectivas Futuras
O Banco Central do Brasil espera uma entrada líquida de US$ 70 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2025, representando 3,2% do PIB. Os EUA respondem por cerca de um quarto desse total. O Brasil, junto com Espanha e Portugal, se destacou no apetite por investimentos externos entre 2018 e 2024.
A recente pesquisa do Bank of America indica que as empresas não planejam um aumento significativo nas estratégias de reshoring, mas podem optar por nearshoring ou friendshoring, beneficiando países como México e Índia. O ex-presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, ressalta que as empresas buscarão diversificar suas fontes de produção para se adaptar ao novo cenário de tarifas.
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